A Anbima anunciou oficialmente, em São Paulo, 16 de abril de 2026, o início da Jornada de Tokenização, uma iniciativa concebida para orientar profissionais do mercado de capitais sobre as mudanças trazidas pela tokenização de ativos. A proposta combina workshops mensais e um projeto-piloto em rede DLT para debêntures e fundos de investimento, com o objetivo de gerar experiências práticas e esclarecer escolhas de arquitetura e governança.
Ao longo do ano, a trilha busca consolidar um diálogo entre tecnologia, mercado e regulação, oferecendo conteúdo técnico e aplicado.
Em vez de tratar a tokenização como um verniz tecnológico, a jornada enfatiza como essa transformação altera processos de emissão, registro, custódia e liquidação, e quais controles são necessários para adequação às obrigações legais.
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O que é a jornada e por que ela importa
A Jornada de Tokenização propõe uma sequência de encontros online destinados a esclarecer desde conceitos básicos até decisões operacionais e de supervisão. O formato prevê nove workshops com avanço progressivo de complexidade, pensado para profissionais do mercado de capitais, especialistas em tecnologia, representantes regulatórios e acadêmicos. Essa estrutura permite tanto uma visão panorâmica quanto a análise pontual de temas como custódia, smart contracts e mecanismos de privacidade em redes compartilhadas.
Programação e conteúdo dos workshops
Os workshops acontecem em datas específicas ao longo de 2026, começando em 29 de abril. A agenda foi desenhada para subir em complexidade: início com fundamentos, seguida por avaliação de arquiteturas de blockchain, práticas de execução e aplicações em produtos financeiros. Entre os encontros estão temas centrais como: tipos de redes (públicas, privadas e híbridas), smart contracts aplicados a fundos, tokenização de dívidas e modelos de liquidação.
Calendário dos workshops
As datas anunciadas e os focos são: 29 de abril (fundamentos e infraestrutura do mercado de capitais); 28 de maio (arquiteturas de blockchain); 25 de junho (smart contracts e execução de fundos); 29 de julho (tokens de dívida e ciclo de vida de debêntures); 27 de agosto (custódia e gestão de chaves); 29 de setembro (privacidade em redes); 28 de outubro (modelos de liquidação); 18 de novembro (supervisão e observabilidade); e 10 de dezembro (boas práticas e recomendações finais). Cada sessão tem inscrição aberta e pode ser acompanhada isoladamente ou em sequência.
Projeto-piloto e implicações práticas
Paralelamente aos workshops, a Anbima conduz um projeto-piloto para testar a emissão e negociação nativa de debêntures e fundos de investimento em uma rede DLT. O propósito é gerar aprendizados técnicos, operacionais e regulatórios que sirvam de referência para adoção em escala no Brasil. O piloto é concebido como um laboratório para identificar gargalos de interoperabilidade, necessidades de governança e ajustes nos modelos de custódia e liquidação.
Riscos, governança e foco aplicado
A proposta enfatiza que a relevância da tokenização depende de sua integração com a prática de mercado, incluindo avaliação de riscos, cumprimento de obrigações legais e estruturas de controle. Segundo a liderança da iniciativa, o enfoque é aplicado e não especulativo: a atenção recai sobre infraestrutura, processos e supervisão, buscando respostas para perguntas como quem detém as chaves, como se dá a liquidação atômica e como garantir privacidade sem perder observabilidade regulatória.
Posicionamento institucional e próximos passos
A jornada faz parte da Rede ANBIMA de Inovação e integra as prioridades do programa ANBIMA em Ação 2026, que organiza iniciativas estratégicas em três frentes: desenvolvimento de mercados, atuação institucional e transformação digital. Com os workshops e o piloto, a associação se posiciona como um polo de articulação entre mercado, tecnologia e reguladores, buscando criar referências técnicas e boas práticas para a adoção responsável da tokenização no Brasil.
Para profissionais interessados, a recomendação é acompanhar a sequência de encontros para construir conhecimento de forma gradual e baseada em evidências. A combinação de conteúdo técnico e experimentação prática pretende reduzir incertezas e oferecer subsídios para decisões de adoção, governança e integração da nova infraestrutura ao ecossistema financeiro existente.

