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Bitcoin Core v31.0 reduz taxas e melhora privacidade dos nodes

Os mantenedores do Bitcoin Core v31.0 anunciaram a nova versão publicando o lançamento no repositório oficial e em canais sociais; o anúncio aparece em um tweet datado de 20 de abril de 2026 e os desenvolvedores também referiram que o pacote foi publicado “neste domingo (19)“. Esta atualização representa o primeiro grande pacote liberado depois da controvérsia em torno da v30.0, quando os limites do OP_RETURN foram elevados de 83 para 100.000 bytes por padrão.

A mudança atual foca em três vetores principais: estimativa de taxas, arquitetura da mempool e mecanismos de transmissão para reforçar a privacidade dos nodes.

Embora parte da comunidade tenha recebido a v31.0 com entusiasmo, outra fração manifestou críticas aos mantenedores e mostrou apoio a projetos alternativos como o Bitcoin Knots. As decisões técnicas — especialmente a redução da taxa mínima — refletem o comportamento da rede nos últimos meses, quando o fluxo de transações on-chain permaneceu baixo e muitas transações passaram a usar tarifas inferiores a 1 sat/vB, conforme ferramentas como o Mempool.space vinham registrando.

Estimativa de taxas: entrada no mundo do subsat

Uma alteração marcante nesta versão é a atualização do estimador de taxas do Bitcoin Core, que agora aceita uma faixa mínima de 0,1 sat/vB em vez de 1 sat/vB. O valor padrão passa a alinhar-se com a configuração minrelaytxfee do nó. Na prática, isso significa que, para um alvo de confirmação específico, se houver dados suficientes e a faixa mínima detectada for inferior a 1 sat/vB, o estimador retornará a média daquela faixa como sugestão. Este patamar de 0,1 sat/vB é por vezes chamado de subsat, isto é, uma fração de satoshi que reflete taxas extremamente baixas em períodos de baixa demanda on-chain.

Contexto e impacto prático

Adotar 0,1 sat/vB como limite mínimo ajusta o cliente ao comportamento observável da rede, evitando estimativas artificialmente altas quando blocos seguem com baixa ocupação. Para carteiras e serviços que automatizam a seleção de taxas, isso pode reduzir custos de envio para usuários que não priorizam confirmação rápida. No entanto, há trade-offs: tarifas muito baixas podem aumentar o tempo médio de inclusão em bloco e exigir maior paciência por parte do remetente. Ferramentas de monitoramento continuam essenciais para quem precisa de previsibilidade nas confirmações.

Mempool redesenhada e novas regras de política

O mempool passou por um redesenho significativo: a lógica de limites de tamanho e o controle por número de ancestrais/descendentes foram substituídos por uma abordagem baseada em componentes conectados, chamados de “clusters”. Agora cada cluster é limitado por padrão a 64 transações e até 101 kB de tamanho virtual. Transações que se conectam por relações de pai e filho na mempool pertencem ao mesmo cluster, e a nova política busca evitar que conjuntos relacionados de transações cresçam sem controle.

RBF e remoções de exceções

A política sobre RBF (Replace-By-Fee) também foi refinada: substituições só serão aceitas quando resultarem em um diagrama de taxas da mempool estritamente melhor do que o anterior, reduzindo substituições que não tragam ganhos práticos. Além disso, o conhecido mecanismo chamado CPFP Carveout foi removido da lógica da mempool para mitigar vetores de abuso identificados pela comunidade, o que altera como certos conjuntos de transações dependentes são priorizados.

Privacidade: transmissão apenas por Tor/I2P

Outra novidade importante é a opção de enviar transações locais exclusivamente por redes de anonimização, evitando vazamento do endereço IP para peers diretos. No RPC sendrawtransaction, foi adicionada a opção booleana -privatebroadcast, que instrui o nó a retransmitir transações apenas por Tor ou I2P. Isso impede que dois envios distintos, sem vínculo on-chain, sejam correlacionados por shared IPs, fortalecendo o anonimato do emissor. Em resumo, a função reduz a superfície de identificação durante a propagação de transações.

Outros ajustes e observações finais

Além das mudanças acima, o v31.0 aumenta o valor padrão de -dbcache em aproximadamente duas vezes quando detectados 4 MB de memória RAM, visando melhorar desempenho em nós com recursos limitados. Há também diversas correções e refinamentos menores espalhados pelo código. No conjunto, a atualização busca alinhar o cliente às práticas observadas na rede e oferecer opções para quem prioriza taxas mínimas e privacidade, enquanto mantém debates acalorados sobre prioridades do desenvolvimento do protocolo.

Se você administra um nó ou desenvolve carteiras, vale revisar as release notes oficiais e testar as mudanças em ambientes controlados antes de migrar em produção. A adoção plena dependerá do comportamento de usuários, carteiras e mineradores, e o impacto prático só ficará claro conforme a nova política for amplamente usada.

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