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6 junho 2026

Investimentos em saneamento básico em São Paulo aceleram metas para 2029

Com investimentos crescentes, São Paulo planeja universalizar o saneamento básico três anos antes do previsto.

Investimentos em saneamento básico em São Paulo aceleram metas para 2029

O estado de São Paulo está acelerando seus planos para a universalização do saneamento básicocom a previsão de concluir o serviço até 2029três anos antes do prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento. Essa antecipação é possível graças a um aumento significativo nos investimentos, que cresceram 120% após a desestatização da Sabesp em 2026.

Em 2026a Sabesp aplicou R$ 15,2 bilhões em infraestrutura, um valor 120% superior aos R$ 6,9 bilhões investidos no ano anterior. Esses recursos estão sendo direcionados para a expansão dos serviços de água potável e tratamento de esgotobeneficiando 368 municípios do estado.

Metas e benefícios socioeconômicos

O Marco Legal do Saneamentosancionado em 2026estabeleceu metas ambiciosas para o país: até 203399% da população deve ter acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto. Em São Paulo, as metas para o período entre 2026 e 2026 já foram superadas, com 87% de cobertura de abastecimento de água, 77% de coleta de esgoto e 71% de tratamento.

Um estudo do Instituto Trata Brasil e da consultoria EX ANTE revela que a universalização do saneamento pode gerar mais de R$ 1,4 trilhão em benefícios socioeconômicos para o Brasil até 2040. Descontando os custos de expansão da infraestrutura, os ganhos líquidos estimados superam R$ 815 bilhões entre 2026 e 2040.

O principal impacto está relacionado à produtividade do trabalhoque pode gerar mais de R$ 437 bilhões em benefícios no período. A ampliação do acesso à água tratada e ao esgoto reduz afastamentos por doenças, melhora as condições de trabalho e amplia a capacidade produtiva da população. Os efeitos também alcançam áreas como educaçãoturismo e mercado imobiliário.

Investimentos e saúde pública

O governo de São Paulo prevê investir R$ 70 bilhões até o fim da década, além de adiantar a universalização completa dos serviços para 2029. O Plano Regional de Saneamento Básico paulista prevê investimentos na casa dos R$ 260 bilhões até 2060.

Além dos benefícios econômicos, a expansão do saneamento básico tem um impacto direto na saúde pública. Um estudo do Instituto Trata Brasil aponta que mais de 11 mil mortes por ano no Brasil estão relacionadas a doenças associadas à falta de saneamento básico. A cada R$ 1 investido em saneamento, R$ 4 são economizados pelo sistema de saúde público.

A ampliação do saneamento básico reduz a circulação de agentes infecciosos no ambiente, melhora as condições de higiene e contribui para diminuir internações evitáveis. Municípios com melhores índices de coleta e tratamento de esgoto tendem a registrar menores taxas de doenças de veiculação hídrica, especialmente entre crianças e populações mais vulneráveis.

Doenças prevenidas com saneamento básico

Entre as doenças que podem ser prevenidas com a expansão do saneamento básico estão a diarreia infecciosaa hepatite Aa leptospiroseas verminoses e a febre tifóide. A ampliação da coleta e do tratamento de esgoto reduz a circulação desses agentes infecciosos no ambiente e diminui o risco de transmissão.

A diarreia infecciosapor exemplo, está entre as doenças mais associadas à falta de saneamento. A hepatite A é transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes contendo o vírus. A leptospirose é causada por uma bactéria presente na urina de animais infectados, especialmente ratos. As verminoses são infecções causadas por parasitas intestinais transmitidos pelo contato com solo, água ou alimentos contaminados por fezes humanas. A febre tifóide é causada pela bactéria Salmonella Typhi e transmitida pelo consumo de água ou alimentos contaminados.

Privatização e novos investimentos

A Equatorial Energiauma das maiores holdings multissetoriais do Brasil, foi escolhida como investidora de referência no processo de privatização da Copasaa companhia mineira de saneamento. A Gerais Saneamento S.A.controlada pela Equatorial, se comprometeu a investir R$ 5,59 bilhões na alocação prioritária de ações da estatal.

O modelo de privatização da Copasa segue um modelo semelhante ao processo feito na Sabesp. Ele prevê a venda de uma participação relevante do Estado de Minas Gerais, atualmente detentor de 50,03% do capital da empresa, para um investidor de referência que poderá assumir a gestão e execução de investimentos.

Com esses investimentos, o estado de São Paulo está não apenas acelerando a universalização do saneamento básico, mas também melhorando a qualidade de vida de sua população e gerando benefícios socioeconômicos significativos.