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Greve na USP por Gace: entenda o conflito entre servidores e reitoria

Em assembleia realizada em formato híbrido, no campus Butantã e online, os trabalhadores técnico-administrativos da USP aprovaram um indicativo de greve que começará a vigorar a partir de terça-feira, 14. A decisão foi tomada após a divulgação da iniciativa da reitoria de conceder uma gratificação específica aos docentes. A proposta, assinada pelo reitor Aluisio Segurado, é vista pelos servidores como um movimento que privilegia um segmento da universidade em detrimento de outros.

Até o fechamento das informações oficiais, a reitoria não havia se manifestado sobre a mobilização.

O que prevê a proposta da reitoria

A iniciativa conhecida como Gace — sigla para gratificação por atividades complementares estratégicas — propõe um acréscimo mensal de até R$ 4.500 no vencimento de professores que apresentarem propostas de atividades extras, como ministrar disciplinas em idioma estrangeiro ou organizar cursos de extensão. O pagamento seria feito em parcelas fixas, sem reajuste, por até 24 meses, e destinaria-se exclusivamente a docentes em regime de dedicação integral, que representam mais de 80% do corpo docente.

Aspectos financeiros e administrativos

Segundo a proposta da reitoria, a implantação da Gace poderia consumir aproximadamente R$ 238,44 milhões por ano caso cerca de 5 mil professores apresentem projetos. Na prática, esse adicional equivale a aproximadamente 27% do salário inicial de um professor doutor em dedicação exclusiva, que atualmente é de R$ 16,3 mil. Além do valor em si, a reitoria submeteu ao Conselho Universitário uma minuta que altera regras de controle financeiro, retirando alguns pagamentos do cálculo da despesa com pessoal — uma mudança que, na visão de críticos, abre espaço fiscal para novas despesas com folha.

Reação dos funcionários e demandas sindicais

O sindicato que representa a categoria, o Sintusp, qualificou a medida como elitista e defendeu tratamento isonômico entre professores e servidores. A principal proposta dos trabalhadores é que o mesmo montante financeiro previsto para a bonificação docente seja redistribuído entre os funcionários, o que, segundo estimativas da entidade, resultaria em um aumento salarial de até R$ 1.600 por servidor. Além disso, o sindicato exige a recomposição integral das perdas salariais acumuladas desde 2012, um índice apontado em 14,5%, e chegou a reivindicar um reajuste fixo de R$ 1.200 como alternativa.

Argumentos dos trabalhadores

Para a direção do sindicato, há um argumento funcional: professores dependem do suporte de técnicos e administrativos para que aulas, pesquisas e laboratórios funcionem adequadamente; portanto, a bonificação restrita aos docentes seria injusta. A mobilização cresceu após uma paralisação já ocorrida em 31 de março, quando a pauta foi levada ao Conselho Universitário, e culminou na assembleia que indicou a greve a partir de 14. A categoria também destaca números estruturais da instituição: a universidade tem cerca de 5.300 professores e aproximadamente 12.600 funcionários técnico-administrativos, o que intensifica o debate sobre distribuição de recursos humanos e orçamentários.

Próximos passos e possíveis efeitos

Com o indicativo aprovado, a expectativa é de que ocorram negociações entre a reitoria e os representantes dos trabalhadores; a administração afirmou que emitirá posicionamento oficial após reuniões no Conselho Universitário. Caso a paralisação ocorra conforme aprovado, as atividades acadêmicas e administrativas poderão ser afetadas em diferentes níveis, desde a rotina de laboratórios até atendimentos administrativos essenciais. A mobilização também pressiona por transparência sobre a alteração nas normas de controle financeiro e pela abertura de diálogo sobre alternativas para distribuir os recursos de maneira mais ampla.

Impactos práticos e cenário de negociação

Além do efeito imediato em serviços e aulas, o conflito revela uma tensão maior sobre prioridades orçamentárias na universidade pública. A proposta de excluir determinados pagamentos do cálculo da folha, se aprovada, muda a percepção sobre a capacidade de gasto da instituição e pode influenciar futuras negociações salariais. Enquanto isso, os sindicatos mantêm a pressão por recomposição e propostas de aumento que alcancem a categoria como um todo, deixando a pauta da Gace como ponto central de um debate que combina técnica, política e questões de equidade interna.

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