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20 maio 2026

Bloqueio da CVM a OnilX é mantido diante de alegações de promessas de lucros

A CVM confirmou o bloqueio das operações da OnilX após identificar ofertas de retornos fixos e propaganda de lucros garantidos, e o colegiado avaliou indícios de captação irregular

Bloqueio da CVM a OnilX é mantido diante de alegações de promessas de lucros

A CVM decidiu manter o bloqueio das atividades da Onil Exchange Internacional (OnilX) em reunião realizada na quarta-feira (1), cuja ata foi divulgada ao público na terça-feira (7). A deliberação decorre de relatórios da Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI) e de fiscalizações que apontaram a oferta de contratos com prometidas rentabilidades fixas. Esses elementos chamaram a atenção do órgão por configurarem, segundo a equipe técnica, indícios de captação irregular de recursos por meio de produtos que se apresentam como investimentos.

Durante a apuração, foram reunidas diversas denúncias de clientes que disseram ter o capital retido e relataram promessas publicitárias de ganhos garantidos, incluindo referências a operações de arbitragem cambial. Em razão das suspeitas, a CVM remeteu ofícios ao Ministério Público e promoveu atos públicos em busca de proteção ao público investidor. Advogados da OnilX recorreram administrativamente contra o Ato Declaratório 24.680, alegando que a plataforma se limita à compra e venda de bitcoin e outros criptoativos e apontando suposta ausência de tempo hábil para o exercício do direito de defesa.

Deliberação do colegiado e votos

A relatoria do processo ficou a cargo de Marina Palma Copola de Carvalho, que votou pela manutenção da medida preventiva. Em seu voto, a relatora sustentou que, diante dos fortes indícios de fraude, era necessária uma ação imediata para resguardar o patrimônio de investidores possivelmente desavisados. Segundo Marina, a natureza das evidências justificava uma medida cautelar mesmo sem aviso prévio aos responsáveis pela plataforma, uma vez que a urgência visa evitar danos adicionais ao público.

Voto de acompanhamento e maioria

O diretor substituto Thiago Paiva Chaves acompanhou a relatora, consolidando uma maioria favorável à manutenção do bloqueio. Para esse grupo, as alterações posteriores no site da corretora não eliminaram os registros e as provas já coletadas pela fiscalização: a remoção de ofertas duvidosas depois da inspeção não desfaz o histórico documental que sustenta a suspeita de irregularidades. Com a formação de maioria, o colegiado reforçou o caráter preventivo da medida para impedir novo aliciamento de investidores.

Posição divergente

Contrapondo a maioria, o presidente do encontro, João Carlos de Andrade Uzêda Accioly, votou contra a imposição imediata do bloqueio. Accioly criticou a utilização de denúncias anônimas e de indícios antigos como fundamento exclusivo para uma sanção tão gravosa, além de apontar possível quebra de isonomia frente a outras corretoras já estabelecidas, citando comparações com casos como o do Mercado Bitcoin. Sua visão ressaltou a importância de preservar o devido processo antes de medidas restritivas extremas.

Aspectos técnicos e legais analisados

Os técnicos da SMI registraram que a OnilX divulgou contratos atrelados a retornos fixos, formato que pode caracterizar a distribuição irregular de valores mobiliários. A propaganda também mencionava operações de arbitragem e fundos com rendimentos garantidos, elementos que elevaram a suspeita de venda de produtos com feição de investimento sem o devido registro. Para a área técnica da CVM, essas práticas se aproximam de captação ilegal e justificam a atuação administrativa.

Defesa da empresa

A defesa da OnilX sustentou que suas atividades se restringem à negociação simples de criptoativos e contestou o contorno aplicado pelo Ato Declaratório 24.680, alegando cerceamento do direito de defesa. Ainda assim, os argumentos jurídicos dos fundadores perderam força diante das evidências acumuladas, como registros de publicidade e relatos de clientes que motivaram bloqueios bancários após detecção de fluxos financeiros atípicos.

Impactos para investidores e próximos passos

Com a decisão, a CVM manteve o foco em impedir novos danos a pessoas atraídas por promessas de lucros fáceis associadas a criptoativos. O veto não alcança operações simples de compra e venda de moedas digitais que se mantenham fora do escopo de produtos estruturados; a restrição recai especificamente sobre ofertas que prometem retornos miraculosos com aparência de investimentos oficiais. As investigações e as comunicações com o Ministério Público seguem em andamento enquanto o processo administrativo se desenrola.

Em síntese, a manutenção do bloqueio pela CVM reflete a prioridade em proteger investidores diante de indícios consistentes de práticas comercialmente enganosas e de possível captação irregular. O caso seguirá com tramitação e poderá gerar desdobramentos judiciais ou administrativos conforme novas provas sejam produzidas e as partes apresentem suas contestações.

Autor

Ilaria Beretta

Ilaria Beretta coordenou um longform sobre as redes culturais de Trieste realizado com entrevistas no Teatro Romano, defendendo uma linha editorial aprofundada para as matérias de fôlego. Chefe da desk de features, guarda uma série de cartas de arquivo ligadas a Trieste como um detalhe pessoal.