A Gávea Investimentos uma das gestoras mais tradicionais do mercado brasileiro, anunciou recentemente o encerramento de sua família de fundos multimercados macro. Essa decisão marca o fim de uma era para a empresa, que já foi referência nesse segmento. Os fundos, que somam aproximadamente R$ 2 bilhões em ativos, serão transferidos para a Bradesco Asset conforme comunicado enviado aos clientes.
A gestão desses fundos, que seguem estratégias semelhantes com variações em alavancagem e exposição ao dólar, tem apresentado retornos abaixo do CDI desde 2026. Essa mudança reflete as dificuldades enfrentadas pelos gestores tradicionais em gerar retornos acima do mercado, um cenário que tem levado a uma migração de capital para alternativas mais baratas, como os ETFs.
O contexto do mercado financeiro
O mercado financeiro brasileiro está passando por transformações significativas. A alta taxa de juros, que atrai investidores para a renda fixa, e a concorrência com produtos incentivados têm dificultado a captação e a rentabilidade dos fundos multimercados. Além disso, a indústria de fundos de investimento tem registrado resgates expressivos, com mais de R$ 9,8 bilhões em saques no primeiro semestre de 2026 segundo dados da Anbima.
“Gestão ativa agora só com muito alfa. O resto vai migrar tudo para ETFs,” disse um gestor de ações que ainda está performando. Essa declaração reflete a realidade de um mercado onde a busca por retornos superiores exige estratégias cada vez mais sofisticadas e diferenciadas.
A trajetória da Gávea Investimentos
A Gávea Investimentos foi fundada em 2003 por Arminio Fraga e seu primo Luiz Fraga após o mandato de Arminio como presidente do Banco Central do Brasil. A empresa se destacou por seus fundos multimercados e investimentos em private equity com participações em empresas como Arcos DoradosAzulCamilFibria e Stone&Co.
Em 2010 a Gávea foi adquirida pelo JP Morgan que assumiu outras classes de fundos, como FIAs e FIIs. Em 2015 Arminio e outros sócios recompraram a gestora, que então tinha US$ 5 bilhões em ativos sob gestão, com cerca de 10% desse valor em fundos imobiliários e de ações.
O futuro da Gávea Investimentos
Com o encerramento da gestão de multimercados, a Gávea Investimentos focará apenas na gestão de seus atuais investimentos em private equity, sem captar recursos novos. A empresa ainda possui cerca de R$ 1 bilhão em private equity, e os sócios estão explorando estratégias mais concentradas e flexíveis, que permitem assumir mais riscos.
“Neste mês, estamos completando 23 anos de atuação. Há cerca de três anos e meio decidimos não levantar um sexto fundo de private equity, e agora chegou a vez dos multimercados,” disse Arminio Fraga em entrevista exclusiva. A decisão reflete a necessidade de adaptar-se a um mercado em constante evolução.
A Bradesco Asset uma das maiores gestoras de recursos do Brasil, com mais de R$ 1 trilhão sob gestão, está em negociações para integrar parte da equipe dos fundos multimercados da Gávea à sua equipe de investimentos. Essa parceria, que já existe desde o início da operação da Gávea, visa garantir a continuidade e a confiança dos investidores.
“Tem uma relação muito antiga entre as instituições. O Bradesco é o banco deles, é o administrador dos fundos, é uma parceria desde o início da gestora e que criou uma relação de confiança,” disse Bruno Funchal CEO da Bradesco Asset.
A decisão da Gávea Investimentos de encerrar a gestão de multimercados e transferir os fundos para a Bradesco Asset é um reflexo das mudanças no mercado financeiro. A busca por retornos superiores em um cenário de alta taxa de juros e concorrência acirrada exige estratégias inovadoras e adaptáveis. A Gávea, com sua trajetória de sucesso, está se reinventando para continuar relevante em um mercado em constante transformação.



