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24 junho 2026

Fundos de Investimento Imobiliário: Estratégias Eficazes para Navegar em um Mercado Desafiador

Explore as estratégias adotadas pelos fundos de investimento imobiliário da Vinci em um ambiente de mercado volátil.

No atual cenário financeiro, os fundos de investimento imobiliário estão passando por um momento de consolidação e cautela. Com o aumento das taxas de juros e a liquidez limitada, os gestores de fundos estão adaptando suas estratégias para otimizar o desempenho. Em uma recente entrevista ao InfoMoney, Ilan Nigri e Rodrigo Coelho, co-responsáveis pelo setor imobiliário da Vinci, detalharam as abordagens que seus fundos estão adotando para enfrentar esses desafios.

Um dos fundos em destaque, o VISC11 (Vinci Shopping Centers), tem se concentrado em manter seus resultados acumulados enquanto busca diversificação. Segundo Coelho, “Nos últimos doze meses, até julho, o fundo alcançou uma distribuição de R$ 0,81 por cota a partir de um resultado total gerado de R$ 0,86 por cota. Isso nos permitiu acumular R$ 0,98 por cota em lucros não distribuídos.” Essa estratégia reflete um compromisso com a estabilidade em um setor frequentemente impactado por tendências sazonais.

Aquisições e métricas de desempenho

A aquisição de uma participação adicional de 25% no Shopping Paralela, localizado em Salvador, pelo VISC11 resultou em um cap rate de 10,1%, indicando um forte potencial de retorno. Atualmente, o fundo possui um resultado acumulado de R$ 1,23 por cota, equivalente a quase dois meses de distribuições. Coelho observa: “Esse é um nível saudável, especialmente no setor de shoppings, que pode ser bastante volátil.”

Insights operacionais

Em relação às métricas operacionais, a Receita Operacional Líquida (NOI) por metro quadrado cresceu entre 7% e 8% ano a ano, enquanto os números de vendas aumentaram de 5% a 6%. Segundo a equipe de gestão, as reservas de caixa projetadas de R$ 230 milhões sustentarão as operações até 2027. Existe otimismo de que uma queda nas taxas de juros abrirá oportunidades para novas emissões e um aumento nos retornos, com projeções estimando R$ 0,90 por cota até 2027.

Posicionamento estratégico de fundos de escritórios e propriedades urbanas

No caso do VINO11 (Vinci Offices), a força do fundo reside em um contrato de locação atípico de 15 anos com a Globo. Esse tipo de contrato é cada vez mais raro, mas oferece uma previsibilidade de receita significativa, com um prazo médio restante de quase sete anos. Nigri ressalta: “Este ativo oferece uma sensação de segurança. Temos o fluxo de caixa controlado até 2026 e estamos continuamente avaliando opções para mitigar riscos de concentração.”

Por outro lado, o VIUR11 (Vinci Imóveis Urbanos), que foca em propriedades educacionais, está atualmente enfrentando um desconto no mercado de quase 50% em relação ao seu valor patrimonial, apesar de ter um fluxo de receita previsível. Coelho explica: “Cerca de 80% dos nossos contratos são atípicos, com uma duração média de 9,5 anos, proporcionando-nos estabilidade de receita. Portanto, esse desconto significativo não é justificável.”

Desempenho do setor logístico

Em contrapartida, o VILG11 (Vinci Logística) está prosperando, com taxas de ocupação entre 98% e 99%. Esse resultado é atribuído a estratégias de marketing eficazes. Nigri destaca: “Pela primeira vez em anos, conseguimos implementar revisões de aluguel para cima.” Com R$ 60 milhões em reservas de caixa projetadas até 2027 e iniciativas proativas de reciclagem de ativos, como a venda de uma parte de um imóvel em Osasco a um cap rate de 7%, o fundo está estrategicamente posicionado para capitalizar sobre as condições atuais do mercado. “O mercado está atualmente mais favorável para os proprietários do que para os inquilinos, proporcionando-nos oportunidades para aumentar o valor,” acrescenta.

Perspectivas futuras para os fundos de investimento imobiliário

Ao olharem para o futuro, tanto Nigri quanto Coelho preveem um potencial para fusões e aquisições dentro da indústria. “A consolidação é uma progressão natural. Os fundos precisam de escala para serem lucrativos, especialmente do ponto de vista da gestão,” observa Coelho. No entanto, a Vinci não pretende assumir um papel proativo na aquisição de outros fundos. “Se buscarmos qualquer crescimento inorgânico, ele virá por meio de acordos mútuos e não por ações forçadas. Somos cautelosos quanto à precificação e preferimos oportunidades estratégicas que se alinhem com nossos objetivos,” conclui Nigri.

Autor

Staff