Em 09/05/2026, durante evento de pré-candidaturas do Partido Liberal em Santa Catarina, o senador Flávio Bolsonaro voltou a afirmar que atuará para pôr fim à reeleição. Ele reforçou que, embora defenda a proibição de um segundo mandato consecutivo por meio de uma PEC, considera que o atual mandato de quatro anos é insuficiente para executar reformas profundas no país. A fala acontece após declarações anteriores que sugeriram um possível governo de maior duração e geraram interpretações divergentes na imprensa.
No mesmo encontro, o pré-candidato explicou que haverá espaço para debate no Congresso sobre a duração do mandato: afirmou não querer a reeleição, mas abriu caminho para discutir alternativas como manter quatro anos ou ampliar o período para cinco. Ele disse que pretende trabalhar pela aprovação da proposta que tornaria o chefe do Executivo inelegível para o mandato subsequente, recuperando a lógica anterior à emenda que instituiu a reeleição. O posicionamento busca conciliar a ideia de alternância de poder com a necessidade de tempo político para implementar mudanças.
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Proposta constitucional e o argumento do tempo necessário
Ao comentar sua proposta, Flávio afirmou que o atual sistema gera um estado permanente de campanha, o que, segundo ele, compromete decisões administrativas. Em sua avaliação, a adoção da PEC para abolir a reeleição teria o objetivo de resgatar a alternância de poder e reduzir pressões eleitorais sobre medidas de gestão. Ao mesmo tempo, manifestou preocupação com a curta duração do mandato atual, dizendo que quatro anos são pouco para “arrumar o Brasil” e que o Congresso terá papel central para decidir o novo formato, o que pode incluir discussões sobre extensão do período presidencial.
Críticas ao Judiciário e à Lei da Dosimetria
Na mesma sequência de declarações, o senador direcionou críticas ao STF em relação à suspensão da Lei da Dosimetria, afirmando que a decisão comprometeu o trabalho do Legislativo e sugeriu a existência de um jogo combinado entre ministros e parlamentares. Ele citou, de forma contundente, a atuação do ministro mencionado publicamente e alegou haver proximidade entre esse magistrado e o relator do texto na Câmara, provocando dúvidas sobre a independência do processo de revisão jurídica e legislativa. As declarações intensificaram o tom político do evento.
Segurança pública, acusações e posicionamentos sobre lideranças
O tema da segurança também foi aprofundado: Flávio defendeu mudanças constitucionais para permitir a redução da maioridade penal e propôs classificar certas organizações criminosas como grupos terroristas, posição que ele já havia mencionado anteriormente. Sobre a operação da Polícia Federal que cumpriu mandados contra o senador Ciro Nogueira (PI), Flávio declarou que as acusações são graves e estão em apuração, ressaltando o respeito às investigações em curso.
Referências administrativas e ambições políticas
Durante o encontro em Florianópolis, o pré-candidato afirmou conhecer bem os mecanismos de Brasília: disse saber “jogar o jogo do poder”, conhecer o funcionamento do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, e apontou a gestão do governo de Santa Catarina como exemplo a ser seguido em nível federal para contenção de despesas e reorganização administrativa. Ele também declarou que a missão do ex-presidente Jair Bolsonaro não estaria encerrada, chegando a afirmar que o pai dele “subirá a rampa do Planalto em 2027”, e previu que o Partido dos Trabalhadores ficará na “insignificância” a partir do próximo ano.
Impacto eleitoral e repercussões
As falas de Flávio Bolsonaro, em meio a críticas ao Judiciário, defesas de mudanças na segurança pública e menções a aliados e adversários, devem ecoar tanto no Congresso quanto entre as bases eleitorais do PL e do bloco de centro-direita. A conjugação de propostas institucionais — como a PEC contra a reeleição — com discursos de ordem pública e ataques ao que chamou de alinhamentos entre poderes compõe uma estratégia de campanha voltada a mobilizar eleitores e influenciar o debate legislativo sobre duração de mandatos e prioridades de governo.

