Pular para o conteúdo
29 maio 2026

Family offices planejam mudanças na alocação diante de riscos geopolíticos e fiscais

Uma pesquisa global mostra que uma fatia significativa de family offices pretende revisar a alocação de investimentos diante de riscos geopolíticos e preocupações fiscais. O movimento é incomum e pode sinalizar mudanças nas estratégias de preservação de capital.

Nas últimas análises de mercado, ficou evidente que a combinação de tensões geopolíticas e o receio de pressões fiscais está forçando muitos Family offices a reavaliar suas estratégias. Uma pesquisa conduzida pelo UBS com 307 escritórios familiares distribuídos por cerca de 30 países, incluindo o Brasil, aponta que uma parcela relevante pretende ajustar a alocação de ativos — uma alteração que não é comum nesse universo conservador.

O movimento reflete um cenário em que gestores privados e famílias ricas passam a priorizar a preservação de capital e a resiliência das carteiras. Para muitos, isso significa reequilibrar exposição a classes tradicionais e alternativas, além de repensar a alocação geográfica e a sensibilidade a riscos fiscais emergentes.

Por que a mudança é tão relevante

Os family offices costumam ser resistentes a alterações bruscas de alocação devido à sua orientação de longo prazo e ao foco em sucessão e planejamento patrimonial. Por isso, quando um número expressivo decide revisar posições, o sinal é de preocupação ampliada com cenários externos. As causas citadas incluem conflito entre nações, interrupções em cadeias de suprimentos e o que muitos percebem como intensificação do debate sobre tributação de fortunas e rendas.

Impacto nas classes de ativos

Entre as possíveis consequências para as carteiras estão maior busca por ativos reais, como imóveis e commodities, e redução de exposição a títulos long duration em ambientes de alta volatilidade. Outra tendência apontada é a alocação para estratégias de hedge e para fundos que prometem proteção contra inflação e eventos extremos. A intenção não é abandonar retornos, mas ajustar o perfil de risco para assegurar liquidez e proteção em momentos de estresse.

Como os family offices estão planejando as alterações

Os ajustes relatados na pesquisa variam do reequilíbrio entre renda fixa e variável até a realocação entre mercados desenvolvidos e emergentes. Muitos gestores mencionam a possibilidade de aumentar a parcela em ativos alternativos — private equity, infraestrutura e crédito privado — que podem oferecer fontes de retorno menos correlacionadas com mercados públicos. Ao mesmo tempo, há um interesse renovado em instrumentos que permitam gestão dinâmica de risco, como estratégias macro e coberturas cambiais.

Considerações fiscais e regulatórias

A preocupação com mudanças no ambiente tributário influencia decisões sobre domiciliação de ativos, estrutura societária e planejamento sucessório. Termos como residência fiscal e transparência de beneficiários aparecem com frequência nas discussões internas dos escritórios, que avaliam alternativas para mitigar potenciais aumentos de impostos ou medidas que restrinjam benefícios fiscais. Essas mudanças podem implicar custos e complexidade operacional adicionais.

Implicações para o mercado e para consultores

Se a maioria dos family offices avançar com ajustes, gestores de ativos e consultorias precisarão oferecer soluções mais customizadas, com foco em resiliência e flexibilidade. Produtos que combinem proteção de capital com exposição seletiva a oportunidades podem ganhar tração. Além disso, tendências como maior alocação a ativos reais e estratégias de hedge sinalizam demanda por due diligence mais rigorosa e estruturas contratuais adaptadas ao novo cenário.

O papel do planejamento

Para famílias e consultores, o foco passa a ser articular um plano que concilie objetivos de longo prazo com mecanismos de proteção de curto prazo. Isso inclui revisões periódicas da alocação, testes de estresse das carteiras e avaliação contínua de riscos geopolíticos e fiscais. Em suma, trata-se de equilibrar preservação e crescimento em um contexto de incerteza elevada.

Em um ambiente onde os cenários mudam com rapidez, a intenção declarada por muitos family offices de modificar alocações pode anteceder uma onda de adaptações nas formas como patrimônios são estruturados e administrados. O mercado acompanhará de perto como essas intenções se transformarão em decisões concretas e quais produtos e serviços surgirão para atender a essa demanda.

Autor

Staff