No primeiro semestre de 2026, o Brasil tem enfrentado desafios logísticos significativos devido ao conflito no Irã, mas as exportações de sojamilho e farelo de soja para o país persa têm se mantido estáveis. Segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e da agência marítima Cargonaveos embarques desses produtos caíram apenas cerca de 3% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 3,08 milhões de toneladas.
O Estreito de Ormuzuma rota crítica para o transporte marítimo, tem sido um ponto de tensão, mas os navios continuam a passar, garantindo a entrega das commodities brasileiras. A Alphamar Agência Marítima relata que, até o dia 5 de junho, há programação para o envio de duas embarcações com farelo de soja, uma com soja e uma com milho, mostrando um mercado que, apesar das tensões, permanece ativo.
Impacto da guerra nas exportações brasileiras
O conflito iniciado em 28 de fevereiro entre o Irã, os Estados Unidos e Israel tem afetado as rotas de navegação, mas a maior parte do volume exportado — cerca de 1,8 milhão de toneladas — foi embarcado após o início das hostilidades. A queda de aproximadamente 900 mil toneladas nos embarques de milho foi quase compensada pelo aumento nos volumes de farelo de soja até maio.
Arthur da Anunciação Neto, sócio-diretor da Alphamar Agência Marítimadestacou que, apesar das tensões, os navios estão passando pelo Estreito de Ormuz. Ele mencionou que um navio passou recentemente pelo estreito e outro está em processo de descarga no Irã, demonstrando a resiliência das rotas de exportação.
Perspectivas para o segundo semestre
Para o milho, que tem no Irã um de seus principais clientes, as exportações costumam ganhar força no segundo semestre. A Anec afirmou que os volumes de milho para o Irã foram menores em comparação aos 1,9 milhão de toneladas de janeiro a maio do ano passado, mas foram compensados por cargas adicionais de farelo de soja. A associação mantém sua projeção de embarques de milho do Brasil em 44 milhões de toneladas em 2026, mesmo com a guerra no Irã.
A Anec também destacou que os envios de milho começam a ganhar ritmo a partir da segunda quinzena de junho e se intensificam ao longo de julho, acompanhando o avanço da colheita da segunda safra. O Irã foi o terceiro destino do cereal brasileiro de janeiro a maio, com uma fatia de 18%, atrás do Egito e Vietnã.
Alternativas e custos maiores
Em meio às incertezas logísticas, as vendas de milho para o Irã saem mais caras para os importadores. Chau Hue, chefe de Pesquisa da corretora Stag Internationalafirmou que as tradings brasileiras estão vendendo para o Irã com um prêmio que varia de 50 a 70 centavos de dólar por bushel sobre o valor atual negociado no mercado. Isso significa que o importador iraniano terá que pagar de 155 a 180 centavos de ‘basis’ total.
Hue considera que as condições financeiras e de pagamento serão os fatores determinantes para saber se o Brasil poderá repetir, em 2026, as mais de 9 milhões de toneladas de milho exportado para o Irã em 2026, quando o país islâmico foi o principal destino das mais de 40 milhões de toneladas vendidas ao exterior.
A Anec afirmou que os descarregamentos continuam sendo feitos no Irã, nos portos de Imam KhomeiniBandar Abbas e Chabahar. Imam Khomeini e Bandar Abbas seguem entre os principais pontos de entrada para grãos no país, embora seu acesso marítimo dependa da navegação pelo Estreito de Ormuz. Já Chabahar apresenta uma alternativa logística relevante por estar localizado fora do estreito, com acesso direto ao Golfo de Omã.



