Pular para o conteúdo
30 setembro 2026

Expansão da mina de Mariana: investimento de R$ 3,5 bilhões e produção de pellet feed

Cedro prepara expansão de R$ 3,5 bi em Mariana, elevando a capacidade de beneficiamento e apostando em pellet feed high‑grade.

Expansão da mina de Mariana: investimento de R$ 3,5 bilhões e produção de pellet feed

A Cedro Participações acabou de conquistar a aprovação do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) para avançar com a ampliação da sua operação de ferro em Mariana, Minas Gerais. O projeto, avaliado em R$ 3,5 bilhões prevê a elevação gradual da capacidade de beneficiamento de aproximadamente 2,5 milhões para 10 milhões de toneladas de minério bruto por ano, além da produção de até 5,5 milhões de toneladas de pellet feed high-grade ao ano.

Com vida útil estimada em até 20 anos, a iniciativa tem como meta gerar mais de mil empregos diretos e indiretos, reforçar a presença da empresa no estado e atender à crescente demanda internacional por minérios de alto teor de ferro e baixa impureza.

Licença, capacidade e foco no pellet feed high-grade

O licenciamento, concluído após quase três anos de estudos multidisciplinares, autorizou tanto a implantação quanto a operação da expansão. A nova configuração elevará a capacidade de tratamento da unidade de Mariana de 2,5 Mt/ano para 10 Mt/ano de minério bruto (ROM). Dessa matéria-prima, a produção de pellet feed high-grade – material com elevado teor de ferro e reduzidos níveis de contaminantes – pode alcançar 5,5 Mt/ano, atendendo requisitos de siderúrgias que buscam processos de redução direta com menor emissão de carbono.

Vale ressaltar que os volumes de minério bruto e de pellet feed não são equivalentes; o primeiro representa o material que ingresa na planta, enquanto o segundo é o produto final após trituração, classificação e aglomeração. A distinção evita interpretações equivocadas sobre a escala real do empreendimento.

Investimento e cronograma de implantação

O aporte de R$ 3,5 bilhões será distribuído ao longo de um período gradativo, permitindo que a infraestrutura – desde correias transportadoras até unidades de filtragem – seja instalada sem interromper a produção existente. A empresa projeta que, a partir de 2032, a produção total das suas minas alcance 20 milhões de toneladas anuais, consolidando-se entre as maiores operadoras de ferro do país.

Impactos socioambientais e geração de valor local

A expansão incorpora technologias de baixo impacto como filtragem e empilhamento a seco dos rejeitos, eliminando a necessidade de barragens de contenção. Além disso, cerca de 85% da água utilizada nos processos será reaproveitada, reduzindo o consumo hídrico da região. Esses mecanismos reforçam o compromisso da companhia com a preservação ambiental e com as exigências regulatórias.

Em termos de emprego, a previsão de mais de mil vagas abrange tanto funções operacionais quanto oportunidades indiretas em comércio, serviços e transporte. O presidente do Conselho de Administração, José Carlos Martins destaca que o projeto impulsionará a economia local, ampliando a arrecadação de tributos e da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) para o município de Mariana.

Projetos sociais e investimentos comunitários

Desde 2020, a Cedro já destinou mais de R$ 80 milhões a iniciativas nas áreas de educação, saúde, cultura e infraestrutura em Nova Lima, Mariana e ouro Preto. Entre os programas citados, a Creche Comunitária São Judas Tadeu, que atende cerca de 800 crianças, representa um exemplo de ação voltada para o desenvolvimento social das comunidades vizinhas.

Conexões estratégicas: porto, mercado internacional e sinergias setoriais

Para viabilizar o escoamento da produção ampliada, a holding planeja inaugurar o Porto do Meio em Itaguaí (RJ), com investimento estimado em R$ 3,6 bilhões**. O terminal, com capacidade inicial de movimentar até 15 Mt/ano, deve entrar em operação no primeiro trimestre de 2030, permitindo que a Cedro exporte diretamente seu pellet feed high-grade para mercados estratégicos na Europa e Oriente Médio.

Além da iniciativa mineira, o cenário regional recebe outras movimentações importantes. A ArcelorMittal está expandindo no Brasil a produção do aço Magnelis® resistente à corrosão, destinado a estruturas de energia solar e outras instalações críticas. Parallelamente, a Gasmig lança o programa “O Gás que Move”, que reunirá líderes do setor mineral em Belo Horizonte para discutir competitividade energética, substituição de combustíveis e descarbonização de frotas.

Essas ações, embora distintas, convergem para um objetivo comum: fortalecer a cadeia produtiva mineira, reduzir impactos ambientais e criar um ambiente de negócios mais competitivo em Minas Gerais.

Autor

Bruno Costa