O ex-banqueiro Daniel Vorcaro apresentou uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República acusando ACM Neto e Antônio Rueda do União Brasil de cobrarem 10% de comissão sobre investimentos no Banco Master.
Segundo Vorcaro, os dois intermediaram a captação de R$ 2 bilhões de institutos de previdência do Rio de JaneiroAmapáAmazonas e da Cedae. O porcentual citado corresponderia a R$ 200 milhões em vantagens indevidas, mas o documento não especifica quanto foi efetivamente pago.
O que diz a proposta de delação
Vorcaro relata que mantinha uma conta-corrente gerencial para registrar os valores, citando pagamentos em espécie e contratos com empresas ligadas a ACM Neto e ao escritório Rueda & Rueda Advogados.
As informações foram reveladas em 10 de setembro, pelos jornalistas Cézar Feitoza, Fabio Serapião e Natália Portinari. ACM Neto e Rueda negam as acusações, classificando-as como falsas e absurdas.
Detalhes dos investimentos
Quebras de sigilo identificaram R$ 6,4 milhões em repasses ao escritório de Rueda entre 2022 e 2025. Já a consultoria ligada a ACM Neto recebeu R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025.
Os registros oficiais apontam R$ 3,62 bilhões em aplicações: R$ 2,97 bilhões da RioprevidênciaR$ 400 milhões da AmprevR$ 200 milhões da Cedae e R$ 50 milhões da Amazonprev.
Relação com o BRB
A proposta de delação também descreve uma reunião entre Vorcaro, Rueda e Paulo Henrique Costa então presidente do BRB em junho de 2024. Segundo o relato, Rueda e Costa teriam pedido que Vorcaro conseguisse cerca de R$ 1 bilhão para cobrir um aumento de capital do BRB.
Vorcaro afirmou que Costa teria se comprometido a comprar ativos do Banco Master pelo BRB em valor de até dez vezes o montante investido. O grupo de Vorcaro teria aportado cerca de R$ 750 milhões no BRB, que, em 2024, comprou cerca de R$ 6 bilhões em carteiras do Master.
Rueda e Costa passaram a exigir uma comissão de 10% sobre os valores efetivamente desembolsados pelo BRB para a compra de ativos do Master. Os pagamentos, segundo o documento, seriam divididos em três partes e beneficiariam Rueda, Costa e ACM Neto.
As propostas de delação de Vorcaro estão sendo analisadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.



