O Rio Grande do Norte está perdendo oportunidades significativas de investimento devido à falta de coordenação entre órgãos públicos e à demora na regulamentação ambiental. Essa é a avaliação de Sérgio Azevedo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN) que destacou a necessidade de vontade política e agilidade para destravar projetos no estado.
Em entrevista ao Jornal da Manhã da Jovem Pan News Natal (93,5 FM) Azevedo criticou a demora na criação de regras para a instalação de data centers um setor que poderia aproveitar a energia renovável excedente do estado. Enquanto estados vizinhos como o Ceará e o Piauí avançam na regulamentação, o RN discute o tema há mais de um ano.
Energia renovável e a necessidade de consumo local
O Rio Grande do Norte produz aproximadamente 10 gigawatts de energia eólica, mas consome apenas cerca de 1 gigawatt. Azevedo ressaltou que a atração de empreendimentos de consumo intensivo de energia poderia reduzir a necessidade de exportar o excedente e estimular uma nova cadeia econômica.
“Quando a gente consome aqui, cria indústria, gera emprego e uma atividade econômica de consumo intenso de energia. O data center destrava a cadeia como um todo”, afirmou o presidente do Sinduscon-RN.
Além disso, Azevedo destacou os cortes de geração impostos aos parques de energia, conhecidos como curtailment. Segundo ele, alguns empreendimentos deixam de gerar grande parte da energia disponível em determinados períodos devido a limitações do sistema de transmissão e ao excesso de produção.
“Os cortes de geração desses parques chegam à ordem de 70% ou 80% do faturamento mensal. Precisamos urgentemente criar mecanismos para ressarcir essas empresas”, declarou.
Licenciamento ambiental e a necessidade de agilidade
Azevedo criticou a demora nos processos de licenciamento ambiental, que podem se prolongar por mais de dois anos sem solução. Ele destacou que as dificuldades não prejudicam apenas os empresários interessados nos projetos, mas também o próprio estado.
“Quem perde é o nosso Estado. É a geração de emprego que não fica aqui”, declarou.
O dirigente empresarial defendeu a criação de normas ambientais com critérios objetivos e proporcionais ao porte e ao impacto de cada empreendimento. Ele sugeriu que atividades de baixo impacto passassem por procedimentos simplificados, enquanto os órgãos ambientais se concentrariam na fiscalização e nos projetos de maior complexidade.
“Eu não estou falando de ausência de proteção ambiental e de defesa do meio ambiente. O que eu estou falando é que uma coisa não é opositora da outra. Isso tem que andar de forma conjunta”, afirmou.
Pacto pelo desenvolvimento e prioridades para a próxima gestão
Durante a entrevista, Azevedo defendeu a construção de um pacto pelo desenvolvimento do estado, reunindo ExecutivoLegislativoJudiciário órgãos de controle, setor produtivo e sociedade civil.
“O empresário não tem partido. O partido do empresário é a sua empresa. A gente quer apoiar aqueles que se identifiquem com nossas causas e defendam nossas bandeiras”, declarou.
Questionado sobre as prioridades para a próxima gestão estadual, Azevedo apontou três frentes principais: modernização da política ambientalreforma administrativa e atração de investimentos.
Para ele, o primeiro passo seria estabelecer regras objetivas e reduzir margens para interpretações divergentes e judicializações. A segunda medida envolveria uma reforma administrativa destinada a conter gastos e recuperar a capacidade de investimento do estado.
“O Estado está quebrado. Precisamos de uma reforma administrativa extremamente firme”, afirmou.
A terceira frente seria uma política voltada às atividades nas quais o Rio Grande do Norte já possui vantagens competitivas, como energias renováveis, turismo, carcinicultura, fruticultura e produção de sal.
“Vamos fazer o que a gente já sabe. Vamos atrair data centers, consumir nossa energia aqui e gerar emprego de qualidade”, disse.
Na avaliação dele, a combinação entre aumento de arrecadação e redução de despesas permitiria ampliar os investimentos em saúde, segurança e educação, além de abrir espaço para parcerias público-privadas e concessões.
Azevedo também avaliou a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) reconhecendo tentativas de avanço em áreas como energia renovável, mas criticando a resistência interna dentro do governo.
“No setor de energia renovável, ela tentou fazer muita coisa certa. Mas é tanta gente remando contra que é como se ela fizesse com as mãos e, dentro do próprio governo, alguém desmanchasse com os pés”, declarou.
Apesar do reconhecimento, ele fez uma avaliação negativa do resultado geral da administração. “Quando olho de uma forma geral, o governo não foi bom. Não trouxe prosperidade para o nosso Estado”, afirmou.


