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18 setembro 2026

Crypto.com fecha conta em reais e Lemon abandona Brasil

Lemon sai do Brasil e Crypto.com encerra conta em reais; descubra o que mudou no mercado cripto.

Crypto.com fecha conta em reais e Lemon abandona Brasil

Nas últimas semanas o ecossistema de ativos digitais no Brasil entrou em fase de consolidação. A Lemon fintech argentina que havia investido no país desde 2022, comunicou que encerrará todas as suas operações locais, enquanto a decidiu desativar a conta em reais disponível para brasileiros. Ambas as medidas foram tomadas em meio ao prazo final de 30 de outubro para que as prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAV) solicitem autorização ao Banco Central.

Saída da Lemon do mercado brasileiro

A Lemon enviou um aviso aos usuários explicando que as recentes normas regulatórias introduzidas pelas Resoluções 519, 520 e 521 não favorecem a continuidade de seus produtos. A empresa já não aceita novos depósitos, o Lemon Card deixará de funcionar em 30 de setembro e as contas brasileiras serão encerradas em 16 de outubro. As operações na Argentina, Colômbia e Peru permanecem inalteradas. O comunicado não detalhou qual dispositivo das novas regras tornou inviável a atividade, mas deixa claro que a exigência de governança, controles internos e prevenção à lavagem de dinheiro elevou o custo de operação.

encerra a conta em reais

Ao contrário da Lemon, a não abandonou o Brasil, porém anunciou que a conta em reais será desativada a partir de 25 de outubro. Após essa data, os clientes não poderão mais depositar ou sacar BRL nem converter diretamente para criptomoedas. Saldo em reais será convertido automaticamente para USDC (stablecoin lastreada em dólar) ao preço de mercado. O restante da plataforma – negociação de mais de 400 criptoativos e o cartão de crédito – continuará ativo, permitindo que os usuários mantenham operações em moedas estrangeiras.

Regulamentação do Banco Central e impacto no setor

O ponto de virada para o segmento cripto no país é 30 de outubro, data limite para que empresas já em operação solicitem a autorização do BC. Quem não cumprir ficará impedido de prestar serviços como custódia e negociação. Além da Lemon e da, outras PSAVs já anunciaram mudanças: a Coinext encerrou sua corretora, a optou por não pedir licença e a mexicana Bitso vai migrar seus clientes para o Mercado Bitcoin. Já a NovaDAX e a ajustaram parte de sua oferta ao eliminar a conta em reais. O cenário reflete um reajuste de estratégias frente a requisitos de capital, reporte e governança mais rígidos.

Crescimento das stablecoins e retração do Bitcoin

Paralelamente ao embate regulatório, os dados da Receita Federal revelam que as stablecoins atreladas ao dólar ganharam forte relevância no Brasil. No primeiro semestre, a Tether (USDT) movimentou quase R$ 200 bi, cerca de quinze vezes o volume negociado em Bitcoin. A USD Coin (USDC) registrou R$ 38,3 bi, quatro vezes o valor do mesmo período do ano anterior. Já o Bitcoin sofreu queda de 45 % no valor negociado, e as transações em Ethereum e Solana recuaram aproximadamente 60 %.

Especialistas apontam que as stablecoins deixaram de ser apenas um refugio cambial e passaram a ser usadas como instrumento de pagamento e ponte para transferências internacionais, substituindo serviços como Pix ou ACH nos fluxos entre Brasil e Estados Unidos. Esse amplo uso explica por que o volume das stablecoins supera em muito o das cripto-moedas tradicionais, transformando parte do mercado em infraestrutura financeira ao invés de pura especulação.

Usuários que ainda desejam operar em reais precisarão buscar alternativas que cumpram as novas regras, enquanto as stablecoins continuam a consolidar seu papel como meio de pagamento e reserva de valor.

Autor

Bruno Costa