Em 11 de maio de 2026, o economista Peter Schiff voltou a provocar debates ao publicar uma série de mensagens na plataforma X criticando a estrutura financeira da Strategy e, em particular, o produto preferencial conhecido como STRC. Schiff defendeu que o mecanismo de remuneração do ativo — atualmente com taxa anunciada de 11,5% ao ano — lembra um ponzi centralizado, operado pela própria companhia. As postagens reacenderam discussões que já vinham ocorrendo desde o lançamento do instrumento e após declarações públicas de Michael Saylor sobre a possibilidade de venda de parte da carteira de Bitcoin para honrar pagamentos.
O debate ganhou força depois que a Strategy divulgou, em um Form 8-K, a compra de mais 535 BTC por aproximadamente $43 milhões, a um preço médio de $80.340 por moeda, elevando seu acervo total reportado a cerca de 818,869 BTC, adquiridos por aproximadamente $61,86 bilhões com custo médio de $75.540 por unidade. Esses números são relevantes porque alimentam o argumento de que a empresa vem usando a emissão de papéis para financiar compras contínuas de Bitcoin, e que o fluxo entre emissões, pagamentos de dividendos e aquisições cria uma dinâmica que, segundo Schiff, pode ser insustentável em cenários adversos.
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A crítica central de Peter Schiff
Schiff tem repetido que o STRC funciona como um esquema onde recursos de emissores recentes servem para pagar investidores antigos — a lógica clássica de um ponzi, segundo sua visão. Ele apontou que, com um rendimento anual de 11,5% pago mensalmente, a distribuição exigiria cash flows regulares muito superiores ao que a operação tradicional da Strategy gera. Em posts anteriores, também em 6 de maio, e em lives públicas, o economista detalhou que o volume necessário para cobrir esses pagamentos só seria alcançado com emissão contínua ou com a venda de ativos, criando risco de diluição e pressão sobre o preço das ações preferenciais.
Resposta de Michael Saylor e posicionamento da Strategy
Do outro lado, Michael Saylor e a administração da Strategy (MSTR) têm tentado amenizar as acusações. Saylor afirmou em entrevistas que a empresa não pretende ser um vendedor líquido de Bitcoin e que eventual alienação seria executada de forma a minimizar impacto no mercado. No entanto, sua declaração durante o balanço do Q1 2026 — admitindo que a companhia “poderia vender algum Bitcoin” para financiar dividendos do STRC — foi o estopim que motivou a resposta imediata de Schiff. A troca de mensagens ilustra a tensão entre discurso público e interpretação de mercado sobre a sustentabilidade do modelo.
Como funciona o STRC
O STRC é descrito pela empresa como uma preferred stock perpétua com valor par de $100 e rendimento variável originalmente lançado em julho de 2026. A Strategy utiliza os recursos da emissão para alimentar seu programa de compra contínua de Bitcoin por meio de um mecanismo “at-the-market”. Para críticos como Schiff, a equação é simples: se a receita operacional não cobre o pagamento do cupom, a empresa depende de novas emissões ou da venda de ativos, mecanismos que transferem risco para investidores — especialmente aposentados que buscam renda e preservação de capital, conforme citado nas declarações públicas analisadas pelo economista.
Riscos percebidos e implicações regulatórias
Além da crítica econômica, Schiff levantou o argumento regulatório, questionando se comentários públicos de Saylor caracterizam oferta inadequada para perfis conservadores e se a Comissão de Valores americana (SEC) deveria intervir por potenciais violações de regras antifraude e de marketing. A preocupação central é que investidores de baixo risco sejam atraídos por um rendimento elevado sem entender os mecanismos e os riscos subjacentes. Enquanto isso, o mercado observa a cotação do STRC próxima ao par e o preço do Bitcoin acima de $81.000, fatores que, por ora, permitem à Strategy continuar suas operações sem alteração percebida nas intenções de compra.
O que acompanhar
Para investidores e observadores, os pontos-chave a monitorar são a evolução do rendimento do STRC, novas emissões, comunicados formais da Strategy sobre política de vendas de Bitcoin e eventuais ações ou orientações da SEC. Cenários de queda prolongada do Bitcoin ou redução na demanda por papéis preferenciais poderiam acentuar os argumentos de Schiff; por outro lado, continuidade das compras e manutenção do preço do ativo digital podem sustentar a estratégia por mais tempo. Em qualquer caso, trata-se de um exemplo claro de como instrumentos financeiros inovadores podem gerar debates sobre risco, transparência e regulação.
