Em Lucas do Rio Verde, a agricultura familiar está dando um salto significativo com a adoção da agroindústria. Essa transição permite que os produtores rurais transformem seus produtos primários em itens de maior valor agregado, ampliando suas possibilidades de comercialização e renda.
A cidade tem sido palco de iniciativas que visam capacitar e regularizar pequenas agroindústrias, garantindo que os produtos atendam aos padrões de qualidade e segurança exigidos pelo mercado. Recentemente, uma palestra técnica sobre a regularização de agroindústrias de produtos de origem animal reuniu produtores e representantes municipais, destacando a importância desse setor para o desenvolvimento local.
Capacitação e regularização de agroindústrias
A palestra técnica realizada no Auditório dos Pioneiros abordou os requisitos sanitários necessários para a regularização de agroindústrias que trabalham com leite e derivados, ovos, mel, pescado e produtos cárneos. A médica veterinária Laura Peixoto de Arruda destacou que mesmo pequenas estruturas precisam estar vinculadas a um serviço de inspeção para garantir a qualidade dos alimentos.
“O produtor no Brasil precisa ter um produto de qualidade que garanta que esse consumidor vai consumir sem risco algum. Para isso, ele precisa ter uma agroindústria, por mais que ela possa ser pequena, registrada em um serviço de inspeção”, explicou Laura.
A capacitação também abordou questões como documentação, elaboração de planta, estrutura necessária e os primeiros passos para iniciar o processo de regularização. Um dos principais benefícios apresentados foi a possibilidade de ampliar a área de comercialização, permitindo que as agroindústrias de pequeno porte alcancem mercados além do local.
Verticalização da produção e expansão de mercados
Para o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, Felipe Palis, a verticalização da produção é essencial para o fortalecimento da agricultura familiar. “A gente entende que essa verticalização, essa transformação do produto, agrega valor, fortalece a economia e fortalece o nosso agricultor”, afirmou.
A verticalização permite que os agricultores não apenas produzam matéria-prima, mas também avancem para etapas como processamento, embalagem e comercialização de produtos com maior valor agregado. Essa transformação tem permitido que os produtores ocupem espaços em mercados varejistas e atacadistas, além de programas de aquisição de alimentos e da alimentação escolar.
A Prefeitura de Lucas do Rio Verde está trabalhando em parceria com outras instituições para estimular a implantação de estruturas voltadas a diferentes cadeias produtivas, incluindo mel e produtos de origem vegetal. “A gente entende que é um setor muito importante, que precisa ser fortalecido, que agrega valor, abre novos mercados e permite expandir essa agricultura familiar para essa parte verticalizada da produção”, afirmou Felipe.
Oportunidades de expansão para produtores locais
Entre os produtores que participaram da capacitação estava Guilherme Camatti, da empresa familiar Mel do Cerrado. A atividade produz, em média, quatro toneladas de mel por ano em Lucas do Rio Verde e já busca alternativas para ampliar sua presença no mercado.
Para Guilherme, a capacitação é fundamental para quem pretende avançar na regularização e conquistar novos consumidores. “A gente está numa constante busca por aperfeiçoamento e capacitação para se enquadrar nesses selos de inspeção, conseguir novos mercados e expandir o nosso mercado”, relatou.
A intenção é manter a comercialização em Lucas do Rio Verde, mas também alcançar outros municípios, Mato Grosso e, futuramente, outros estados. A construção de uma estrutura coletiva para processamento e beneficiamento do mel aparece como uma possibilidade importante. A região já conta com a associação Luapim e existe a expectativa de implantação de uma Casa do Mel.
“É uma região que tem um potencial muito grande de crescimento”, avaliou Guilherme, destacando especialmente a disponibilidade de floradas durante o período de seca.
Para o gestor territorial da Empaer no Alto Teles Pires, Fernando Brock, a agroindústria deve ocupar espaço cada vez maior nas políticas de fortalecimento da agricultura familiar. “Não tem hoje como pensar em desenvolvimento, continuidade e crescimento dentro da agricultura se em algum momento você não esbarrar na comercialização. Uma forma de agregar valor e gerar emprego no meio rural é através da agroindústria”, afirmou.
A avaliação é compartilhada pela vereadora e vice-presidente da Câmara Municipal, Nadir Santana, que destacou a importância da capacitação para que os produtores possam avançar de maneira estruturada. Para ela, o crescimento da agricultura familiar passa também pela união entre produtores, associações e cooperativas, permitindo ampliar a capacidade de produção e conquistar novos mercados.



