A geração distribuída (GD) solar no Brasil vive um momento de transformação. Após anos de crescimento impulsionado por incentivos regulatórios, o setor enfrenta desafios significativos, como juros altos, redução de subsídios e intensa competição. Neste cenário, a Suno Asset emerge como uma força consolidadora, oferecendo uma solução estratégica para pequenos e médios produtores.
A empresa, através de seu fundo imobiliário SNEL11está adquirindo miniusinas solares em todo o país. Com 100 mil cotistas, a maioria pequenos investidores, o SNEL11 já opera cerca de 40 parques solares em 11 estados, somando um patrimônio líquido próximo de R$ 900 milhões. O objetivo agora é triplicar esse tamanho com uma nova rodada de captação de R$ 1,8 bilhão.
O modelo de aquisição da Suno Asset
A estratégia da Suno Asset é única. O fundo compra os projetos à vista, e em troca, os vendedores se comprometem a usar parte do valor recebido para comprar cotas do fundo. Isso permite que os produtores reduzam seu risco, passando a ser investidores de um veículo com dezenas de ativos listados na bolsa.
Vitor DuarteCIO da Suno Asset, explica que muitos empreendedores subestimaram a complexidade do negócio. “Muita gente achava que era só montar sua mini-usina e ir para a praia. Mas o negócio é bem complexo, não é tão fácil fazer a comercialização dessa energia. E o mercado mudou,” disse ao Brazil Journal.
A publicidade da Suno no Instagram, inspirada em um anúncio de Warren Buffet no The Wall Street Journal em 1986, reflete essa estratégia direta: “Compramos sua usina solar.” Segundo Duarte, cada vez mais pessoas estão desistindo de esperar o mercado melhorar, preferindo vender seus projetos.
O cenário atual da geração distribuída solar
O mercado de GD solar cresceu rapidamente no Brasil a partir de 2015, impulsionado por incentivos. No entanto, uma lei de 2026 que prevê a redução gradual desses incentivos, somada à intensa competição, levou a uma desaceleração. Empresários do ramo enfrentam altos níveis de vacância, guerras de descontos e desafios de varejo.
Alguns grupos estão deixando o mercado, e há casos de empresas rompendo contratos de arrendamento. Isso abre espaço para uma consolidação por players mais capitalizados. Evidenciando essa desaceleração, as instalações de novos sistemas somam 2,3 gigawatts desde o início do ano, contra 9,3 GW nos doze meses de 2026. Em 2026, foram mais de 10 GW.
Concorrentes e desafios futuros
Um potencial concorrente para a estratégia do SNEL11 são as distribuidoras de energia. Algumas já possuem empresas de GD e podem exercer seu poder de mercado, pressionando pequenos produtores com descontos e realizando aquisições. A Cemig SIMsubsidiária de GD da Cemig, é um exemplo, tendo crescido com diversos M&As e oferecendo descontos de até 26% na conta de luz.
Apesar dos desafios, o SNEL11 paga dividendos mensais, com um dividend yield anualizado de 14,97%, segundo sua última carta de gestão. A Suno Asset está bem posicionada para aproveitar o cenário atual e continuar sua expansão no mercado de energia solar.



