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20 setembro 2026

Calendário econômico de 21 a 25 de setembro: Copom, IPCA-15 e dados dos EUA

Acompanhe a agenda de indicadores de 21 a 25 de setembro e entenda como o recorte da Selic para 13,75% pode influenciar o cenário global.

Calendário econômico de 21 a 25 de setembro: Copom, IPCA-15 e dados dos EUA

Após uma sequência de reduções na taxa de juros, os investidores voltam o olhar para os indicadores que podem abrir pistas sobre os próximos passos dos bancos centrais. A semana de 21 a 25 de setembro reúne eventos críticos no Brasil, Estados Unidos, Europa e China, criando um panorama complexo para quem acompanha o mercado financeiro.

Brasil: Copom, Selic e IPCA-15

Na terça-feira (22), o Copom publica a sua ata documento que costuma conter indícios sobre a disponibilidade de novos cortes da taxa Selic. Na última reunião, a taxa foi reduzida em 0,25 ponto percentual, ficando em 13,75% ao ano. O mercado buscará na ata sinais de espaço para mais diminuições ou uma postura mais cautelosa. Já na quinta (24), o Banco Central apresenta o Relatório de Política Monetária e o índice de Confiança do Consumidor da FGV, oferecendo uma visão mais detalhada da atividade interna.

O IPCA-15 que será divulgado na sexta-feira (25) às 09h, medirá a inflação mais recente e complementa o IPCA de agosto, que apresentou queda de 0,32% e desaceleração para 4,22% em 12 meses. O dado será crucial para validar se o ritmo de redução da Selic continua sustentável.

Estados Unidos: dados de emprego, PMI e discursos do Fed

Na segunda-feira (21), Austan Goolsbee, presidente do Conselho de Governadores do Fed, fará um discurso que pode sinalizar a orientação da política monetária americana. Na terça-feira (22), são publicados o relatório semanal de ADP sobre emprego e as atualizações dos índices de atividade de Richmond, além de discursos de John Williams e Philip Jefferson, membros do Fed.

Quarta-feira (23) traz os PMIs de indústria, serviços e composto, seguidos pelos estoques de petróleo da EIA às 11h30. Na quinta (24), são anunciados os pedidos de seguro-desemprego e transações correntes, bem como as vendas de casas novas. Por fim, a sexta-feira (25) apresenta os pedidos de bens duráveis e a Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan, acompanhada das expectativas de inflação da mesma instituição.

Europa, Reino Unido e China: indicadores regionais

O estudo da zona do Euro acompanha a Confiança do Consumidor (terça-feira) e os PMIs de indústria, serviços e combinado (quarta-feira). Na quinta-feira (24), o Banco Central Europeu publica seu boletim econômico, enquanto na sexta-feira (25) são divulgados os agregados monetários (M3 e crédito ao setor privado).

No Reino Unido, o índice de preços de imóveis da Rightmove surge no domingo (20), seguido pelo índice CBI de Tendências Industriais na terça-feira (22) e pelos PMIs (quarta-feira). Discorrem Swati Dhingra, do BoE, na quinta-feira (24), juntamente com Sarah Breeden, complementando a pesquisa CBI de varejo.

Na China, o destaque da semana concentra-se na taxa preferencial de empréstimo (LPR) de 1 e 5 anos, publicada no domingo (20) às 22h, influenciando o custo de crédito no país.

O Japão tem poucos eventos; feriados nacionais ocupam segunda, terça e quarta-feira, com apenas o PMI industrial, de serviços e composto sendo divulgados às 21h30 na quarta-feira (23).

Perspectivas e riscos externos

O recorte da Selic ocorre em um contexto internacional delicado. Enquanto o Fed dos Estados Unidos pode elevar a taxa dos títulos de 10 anos acima de 5% e os TIPS oferecem retornos reais próximos a 2,6% ao ano, o diferencial entre Brasil e EUA está se estreitando. Essa redução do prêmio pode pressionar o câmbio real encarecendo importados e combustíveis, e potencialmente reintroduzindo forças inflacionárias.

Além disso, fatores externos como o preço do petróleo Brent acima de US$ 100 e a expectativa de um forte El Niño aumentam a incerteza sobre custos de energia e alimentos. Caso o Fed sinalize novos aumentos, a discussão sobre o diferencial de juros ganhará ainda mais relevância para as próximas decisões do Copom.

Assim, embora a taxa de 13,75% não seja novidade, a verdadeira incógnita reside em quantos cortes adicionais ainda são viáveis sem comprometer a estabilidade cambial e a inflação. O mercado aguardará atentamente cada número da agenda para calibrar suas avaliações.

Autor

Bruno Costa