O empresário e banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi novamente detido no âmbito da Operação Compliance Zero e transferido para a Penitenciária Federal em Brasília. A prisão ocorreu na manhã de 4 de março e, após audiência de custódia em São Paulo, a Polícia Federal obteve autorização do ministro André Mendonça, do STF, para a transferência, que aconteceu na sexta-feira, 6.
A corporação justificou a mudança de local de custódia com base na suposta capacidade do investigado de mobilizar redes de influência capazes de interferir nos atos processuais.
Além disso, a PF mencionou a necessidade de proteção à integridade física do detido.
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Por que a transferência foi determinada
A solicitação da Polícia Federal assinalou riscos de obstrução das investigações e manipulação de testemunhas, indicando cenário que recomenda cautela redobrada. O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, autorizou a medida atendendo ao pedido da PF.
Antes da ida para Brasília, Vorcaro esteve custodiado na Penitenciária de Potim, no interior paulista, depois de ter passado pela superintendência da PF em São Paulo e por audiência de custódia realizada no dia 4 de março. Na audiência, o juiz avaliou a legalidade da prisão e descartou indícios de maus-tratos.
Contexto da operação e principais acusações
A Operação Compliance Zero investiga um esquema complexo envolvendo o Banco Master, com suspeitas de fraudes bilionárias que teriam provocado um rombo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos. Mandados de prisão, busca e apreensão, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens, foram cumpridos em diversas frentes, com valores bloqueados de até R$ 22 bilhões.
Na decisão que autorizou a nova fase, o ministro do STF apontou a existência de núcleos distintos na estrutura investigada: um financeiro, um de corrupção institucional, um de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, e um voltado à intimidação e obstrução da justiça, que incluía monitoramento de adversários e jornalistas.
Monitoramento e grupo denominado “A Turma”
As apurações descrevem um aparato de vigilância e coerção que teria sido mantido para obter informações sigilosas e intimidar críticos. Segundo a investigação, o grupo conhecido como “A Turma” recebia recursos regulares para realizar esse tipo de atividade e contaria com operadores especializados para monitoramento e obtenção de dados.
Mensagens apreendidas no celular de Vorcaro, recolhido em fase anterior da operação, teriam evidenciado ameaças a jornalistas e terceiros que contrariassem interesses do banqueiro. Em um dos trechos citados no processo, há referência a simular um assalto com objetivo de agredir um jornalista, trecho que a defesa afirma estar fora de contexto.
Outros alvos e desdobramentos
Além de Daniel Vorcaro, foram alvo da terceira fase da operação o cunhado Fabiano Zettel e o colaborador identificado como Luiz Phillipi Mourão. Mourão, ligado à função de monitoramento de adversários, foi preso e, segundo reportagens, tentou suicídio enquanto estava na carceragem da superintendência da PF em Minas Gerais; ele foi internado em um hospital de Belo Horizonte.
Também foram apontados como investigados um policial federal, Marilson Roseno da Silva, e dois ex-servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que teriam atuado como consultores informais em favor do grupo, sendo afastados cautelarmente. A PF acredita que esses agentes prestaram suporte técnico e institucional ao esquema.
Posição da defesa e do Banco Central
Em nota, a defesa de Vorcaro negou as imputações relacionadas a intimidação e ressaltou que o cliente sempre colaborou com as autoridades. Os advogados afirmaram confiar no devido processo legal para demonstrar a regularidade da conduta do empresário.
O Banco Central informou que, durante revisão de seus processos sobre o caso Master, identificou indícios de vantagens indevidas por parte de dois servidores e adotou medidas administrativas e comunicou a Polícia Federal para apuração dos fatos.
Com a transferência para a penitenciária federal em Brasília na sexta-feira, 6 de março, a PF buscou garantir maior controle sobre a execução da medida constritiva, reduzindo o risco de interferência externa nas investigações que buscam elucidar um esquema que abalou a área financeira.
O caso segue em andamento, com diligências, perícias e novas tomadas de depoimentos. A investigação promete aprofundar o mapeamento das relações entre operadores financeiros, agentes públicos e estruturas de ocultação patrimonial associadas ao caso.

