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26 maio 2026

Agentes de IA transformam DeFi e exigem nova infraestrutura

Entenda por que ferramentas como AgentKit e tokens como ASI estão impulsionando agentes autônomos na economia digital

O avanço da inteligência artificial combinado com o crescimento das finanças descentralizadas está criando uma nova categoria de atores econômicos: sistemas que atuam sem supervisão humana direta. Esses elementos, descritos aqui como agentes autônomos, conseguem negociar, pagar por serviços e gerenciar carteiras em ritmo e escala que desafiam a arquitetura atual dos bancos e das plataformas de pagamento.

Para Vinicius Chagas, fundador e CEO da HOUS3, essa mudança exige debates urgentes sobre identidade digital, infraestrutura e normas. Empresas e protocolos já vêm experimentando soluções que permitem que máquinas contratem capacidade computacional, troquem dados verificáveis e realizem transações totalmente on-chain, o que altera a natureza do participante econômico tradicional.

Como surgiram os agentes autônomos

A emergência desse ecossistema pode ser acompanhada por marcos tecnológicos recentes: em 2026, iniciativas como a Fetch.ai e a ASI Alliance introduziram o token ASI como meio de troca entre entidades automatizadas, possibilitando que sistemas paguem e recebam serviços de forma verificável. Ao mesmo tempo, frameworks de desenvolvimento e infraestruturas abertas começaram a facilitar que modelos de IA gerenciem ativos digitais. Esses movimentos transformaram um experimento acadêmico em uma realidade operacional, na qual bots e contratos inteligentes interagem com outras máquinas sem a mediação humana.

Ferramentas e marcos que aceleraram o movimento

Entre as ferramentas que aceleraram essa transição está o AgentKit da Coinbase, um framework open-source que permite a agentes instrumentar carteiras, executar swaps e realizar pagamentos autonomamente. Outra peça foi a solução apresentada pela Oobit no início de 2026 para pagamentos entre agentes, consolidando a tendência de criar rails financeiros dedicados a máquinas. Essas inovações tornaram possível que agentes atuem em velocidade e volume incompatíveis com processos manuais ou com validações pensadas para participantes humanos.

Por que a infraestrutura financeira tradicional fica para trás

Os sistemas bancários e os meios de pagamento ocidentais historicamente pressupõem um humano responsável por cada operação. Esse modelo gerou camadas de validação, antifraude e liquidação que não foram projetadas para lidar com entidades que podem executar centenas de atos por segundo. Um agente que realiza arbitragem entre protocolos ou gerencia posições em múltiplas cadeias opera em latência e escala distintas, o que motiva a construção de rails específicos para máquinas e a reavaliação de processos de compliance.

Desafios regulatórios e de responsabilização

A presença contínua de agentes autônomos impõe questões centrais: como atribuir histórico de crédito a uma entidade que não é pessoa física nem pessoa jurídica tradicional? Como avaliar a confiança de um participante digital? Para Chagas, não faz sentido apenas banir essas operações; é preciso criar um arcabouço de responsabilização que reconheça novos tipos de identidade e reputação. Além disso, relatorios do setor mostram que uma fatia crescente da atividade on-chain provém de contratos e automações interagindo entre si, o que exige regras e ferramentas diferentes das aplicadas a usuários humanos.

Identidade digital e reputação na prática

Iniciativas de identidade digital descentralizada já apontam caminhos possíveis: sistemas que atestam histórico de operações, certificam comportamento e atribuem scores de confiança podem permitir que protocolos reconheçam participantes confiáveis. No entanto, a construção desses mecanismos depende tanto de avanços técnicos quanto de consenso regulatório. O desafio é definir quem responde por ações de um agente: o desenvolvedor, o proprietário da infraestrutura, ou o próprio agente no novo sentido legal que se venha a adotar.

No horizonte, o que aparece não é uma evolução incremental do DeFi, mas uma transformação estrutural em que máquinas negociam com máquinas, exigindo novas infraestruturas, modelos de identidade e regulamentação. O mercado e os reguladores precisam conversar com engenheiros e operadores para desenhar soluções que permitam inovação sem comprometer segurança, responsabilidade e confiança no sistema financeiro.

Autor

Edoardo Vitali

Edoardo Vitali coordenou a cobertura da reestruturação do mercado de peixe de Palermo, defendendo a linha editorial sobre transparência fiscal. Chefe de redação da economia, traz para a redação uma abordagem pragmática e um detalhe pessoal: ainda guarda cadernos das reuniões na Sala delle Lapidi.