Desde o início de outubro, a gestão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Galeão está nas mãos da empresa espanhola Aena vencedora da relicitação realizada em março. O contrato, que se estende até 2039, traz consigo a promessa de um significativo incremento de capital privado nos próximos três anos.
O plano de investimentos soma aproximadamente R$ 1 bilhão proveniente de parceiros comerciais que atuarão em áreas como hotelaria, logística, manutenção de aeronaves e infraestrutura de apoio. A expectativa é que esses recursos gerem cerca de 3.860 empregos diretos impulsionando a economia regional e ampliando a capacidade operativa do terminal.
Investimento privado de R$ 1 bilhão e principais projetos
Entre as obras mais aguardadas está a construção de um hotel internacional de até 426 quartos inicialmente projetado com 232 unidades e financiado com R$ 90 milhões. A rede bUP ficará responsável pela operação, trazendo mais opções de hospedagem para passageiros e viajantes de negócios.
Paralelamente, a empresa chinesa BYD instalará um centro de testes automotivos em uma área de 184 mil metros quadrados, investimento avaliado em R$ 300 milhões e com potencial para criar 1.200 empregos. A companhia aérea Gol também anunciou a construção de um hangar de manutenção de 56 mil metros quadrados, aportando R$ 100 milhões e geração de 800 vagas.
A Hire Capital investirá R$ 430 milhões na implantação de um galpão logístico de 120 mil metros quadrados, destinado à locação para atender o mercado fluminense e capixaba. O mesmo grupo ampliará um galpão já existente de 22 mil para 40 mil metros quadrados, acrescentando R$ 54 milhões ao investimento total.
Expansão da malha aérea: 30 novos destinos
Com a chegada de recursos, o Galeão deve incorporar 30 novos destinos à sua grade. Doze rotas são internacionais, incluindo cidades como Nova York, Dallas, Salta, Lima, Toronto e Montreal. Outras 18 são nacionais, fortalecendo conexões entre o Rio e importantes polos internos.
Além de criar linhas inéditas, a estratégia inclui o aumento de frequências em rotas já existentes, como Paris, Miami, Lisboa e Frankfurt. As primeiras faixas serão ativadas ainda em outubro, com voos diretos para Nova York e Toronto, seguidos de reforços para Paris e Miami. Em novembro, espera-se a retomada de Assunção e ampliação de serviços para Frankfurt, Lisboa e Porto. Dezembro trará novas opções para Mendoza, Lima, Dallas e Montreal, com mais rotas sazonais previstas para o próximo ano.
O executivo da Aena no Brasil, Santiago Yuz destacou que a companhia pretende atrair low-costs e companhias de carga, integrando o Galeão aos demais 17 aeroportos operados pela Aena no país. Essa sinergia permitirá “vendas cruzadas” e incentivos que facilitam a conexão entre voos domésticos e internacionais, potencializando a ocupação de um aeroporto que ainda tem cerca de metade de sua capacidade de 37 milhões de passageiros ociosa.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França ressaltou que a expansão do Galeão complementa a estratégia nacional de diversificar a oferta aeroportuária, reduzindo a dependência de Guarulhos e preparando o Rio para receber um maior fluxo turístico. Ele também destacou a importância de criar um mercado aéreo comum na América do Sul, o que ampliará ainda mais as oportunidades de rotas e tarifas competitivas.



