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10 outubro 2026

Batalha no Senado: fim da jornada 6×1 entre Lula e Flávio Bolsonaro

Lula reforça pedido de fim da jornada 6x1 e questiona proposta de Flávio Bolsonaro no Senado.

Batalha no Senado: fim da jornada 6x1 entre Lula e Flávio Bolsonaro

Em Brasília, o presidente Lula dedicou a manhã a encontros estratégicos com a coordenação de campanha e, ao final do dia, concedeu entrevista a jornalistas. Durante a conversa, reforçou a necessidade de aprovar a proposta que põe fim à escala 6×1 – regime que obriga o trabalhador a laborar seis dias seguidos e descansar apenas um – e denunciou a intenção de seu adversário Flávio Bolsonaro de aprovar cortes em investimentos essenciais. O mandatário destacou que, ao assumir o terceiro mandato, encontrou reduções de 59% no Farmácia Popular e de 50% no programa Mais Médicos, apontando que tais medidas penalizam diretamente os mais vulneráveis.

A discussão sobre a PEC que elimina a escala 6×1 avançou no Senado nesta quarta-feira (7/10), com a realização da segunda de cinco sessões de debate exigidas pelo regimento interno. Cada proposta deve ser analisada em cinco plenárias antes da votação em primeiro turno, e a emenda só será aprovada se obtiver maioria em dois turnos. Neste contexto, o presidente gravou um vídeo para as redes sociais desafiando o senador Flávio Bolsonaro a revelar como orientará os votos do seu partido, PL na disputa que promete definir o futuro da jornada de trabalho no país.

Proposta de Lula: 5×2 sem redução salarial

A iniciativa defendida por Lula propõe o modelo 5×2 no qual o trabalhador cumpre cinco dias de atividades e tem dois dias de descanso, mantendo integralmente o salário. O presidente explicou que a mudança visa equilibrar a produtividade das empresas com a qualidade de vida dos empregados, evitando que a redução de jornada implique diminuição de renda. Segundo a PEC a mudança deve ser aplicada sem qualquer corte salarial, assegurando que a renda das famílias não seja comprometida. Essa característica tem sido usada como argumento central nas ruas, onde sindicatos e movimentos sociais celebram a proposta como vitória da classe trabalhadora.

Alternativa de Flávio Bolsonaro: flexibilidade horária com pagamento por hora

O senador Flávio Bolsonaro e seu coordenador Rogério Marinho apresentaram a PEC 12/2026 conhecida entre os apoiadores como “PEC da liberdade” ou “horário flexível”. Essa proposta cria um regime paralelo ao da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), permitindo que empregadores e empregados negociem diretamente a carga horária e a remuneração, inclusive com a possibilidade de redução proporcional do salário caso a jornada seja encurtada. Críticos, como a deputada Erika Hilton e a CUT rotulam a medida como “PEC da escravidão” ou “escala 7×0”, argumentando que ela abre caminho para jornadas sem dias de descanso garantidos.

Cortes de investimentos e discurso fiscal de Lula

Ao retomar a crítica aos cortes de Farmácia Popular e Mais Médicos o presidente destacou que a estratégia de “ajuste fiscal” proposta pelos adversários tem como efeito imediato retirar recursos dos mais pobres, agravando a desigualdade. Lula defendeu que o governo deve focar em obras de infraestrutura como motor de desenvolvimento, em vez de sacrificar programas sociais. Ele também apontou que a proposta de redução salarial acompanhada da diminuição da jornada, defendida por Flávio, seria incompatível com a necessidade de garantir dignidade ao trabalhador, sobretudo às mães que acumulam jornada remunerada e cuidados domésticos.

Com a terceira sessão de debate marcada para quinta-feira (8/10) e a votação final prevista para a próxima semana, o episódio no Senado tornou-se um referendo político: a aprovação da PEC será o primeiro teste de como o partido PL se posicionará diante de uma demanda popular. Enquanto Lula mobiliza sindicatos e a sociedade civil, o bloco bolsonarista procura adiar a decisão, argumentando que a votação ocorre em período eleitoral sensível. O resultado, portanto, não apenas determinará a jornada de trabalho, mas também poderá influenciar a percepção dos eleitores sobre quem defende os direitos trabalhistas no Brasil.