Pular para o conteúdo
8 outubro 2026

Rali de ações mostra força das small caps e queda do Ibovespa

Rali de três dias faz 18 papéis subirem mais de 20%, 17 deles small caps, e demonstração de que a expectativa de queda da Selic pode mudar o ritmo da bolsa.

Rali de ações mostra força das small caps e queda do Ibovespa

Nos últimos três pregões, o mercado brasileiro registrou um rali inesperado: 18 ativos superaram a marca de 20% de alta. Dentre eles, 17 pertencem ao segmento de small caps sendo a única exceção a Localiza, que avançou 20,5%. Apenas sete dessas ações integram o Ibovespa e ainda com pesos reduzidos, evidenciando que a força do movimento nasce fora do principal índice.

O Ibovespa subiu 7,7% na segunda-feira, mas sofreu recuo de 1,3% nos dois dias seguintes, operando com alta de 0,6% por volta das 11h, em meio a um cenário internacional complexo, com o petróleo em alta e bolsas estrangeiras em queda. Enquanto isso, o índice de small caps acumulou 12% de valorização entre segunda e quarta-feira e avançou mais 1% no dia atual, mostrando que a energia da alta está concentrada nas empresas de menor capitalização.

Motivações da alta: expectativa de corte da Selic e ajuste fiscal

Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, explicou que a maioria dos investidores ainda associa o desempenho ao Ibovespa, mas o resto do mercado seguiu trajetória diferente. Normalmente, os rali começam com as large caps e só depois as small caps acompanham, porém o cenário atual é impulsionado pela possibilidade de uma redução da taxa Selic mais profunda do que se previa antes do primeiro turno eleitoral. Uma taxa de juros menor favorece empresas voltadas para a economia doméstica e sensíveis ao custo de crédito – perfil típico de muitas small caps.

A concretização desse ambiente depende de um ajuste fiscal crível. Segundo Ferreira, gestores já anteciparam a operação, comprando papéis que estavam “largados” há anos. O fluxo de recursos para as small caps vem de diferentes fontes, mas tem predominância de fundos locais que estão rotacionando Caixa das grandes empresas para as menores, além de um aporte tímido de investidores estrangeiros, limitada pela baixa liquidez desses ativos.

Participação estrangeira e limites do movimento

Na segunda-feira, o fluxo externo atingiu R$ 10 bilhões – recorde histórico diário – concentrando compras nas ações mais negociadas dos índices, o que explicou o salto de 7,7% no Ibovespa. No dia seguinte, a entrada caiu para R$ 1 bilhão. Ferreira alerta que esse movimento tem um teto definido pela capacidade dos gestores de movimentar suas carteiras, e que o ingresso de recursos nos fundos de ações ainda deve demorar. Outro gestor comentou que os estrangeiros “compraram meio sem critério” e abriram espaço para que investidores locais vendam ativos já valorizados.

Destaques e retrações: quem ganhou e quem perdeu

O levantamento da consultoria Elos Ayta revelou as maiores altas nos três últimos pregões: Quero-Quero (+47%), Movida (+33%), Ecorodovias (+31%), Pague Menos (+31%), Simpar (+28%), Vamos (+27%) e Grupo SBF (+26%). Ações que já estavam em máximas históricas na segunda-feira, como BTG Pactual (+23%), B3 (+22%) e Itaú (+10%), já devolvem parte dos ganhos. Por outro lado, empresas ligadas a commodities e exportação sofreram com a valorização do real: Embraer recuou 9%, Suzano 5% e Vale 5%.

Em síntese, a força das small caps reflete a expectativa de uma política monetária mais branda e a busca por um ajuste fiscal que reduza a pressão sobre os juros. Enquanto o Ibovespa demonstra certa resistência após a alta inicial, os papéis de menor capitalização continuam a atrair tanto fundos locais quanto fluxo externo, embora ainda enfrentem limites de liquidez e de capacidade de reposicionamento por parte dos gestores.