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5 outubro 2026

PF investiga financiamento de mansão e filme de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro enfrenta duas frentes de investigação da PF que colocam em xeque seu financiamento de campanha e de bens pessoais.

PF investiga financiamento de mansão e filme de Flávio Bolsonaro

A corrida presidencial de 2026 chegou ao primeiro turno com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como um dos principais nomes. Contudo, sua candidatura vem acompanhada de duas investigações abertas pela Polícia Federal (PF), que envolvem tanto o financiamento de um filme biográfico quanto um empréstimo imobiliário considerado vantajoso. Enquanto o senador tenta consolidar apoio nas urnas, o judiciário questiona a legalidade de recursos que podem ter sido desviados de fundos públicos ou de operações bancárias irregulares.

Financiamento do filme “Dark Horse” e a relação com Daniel Vorcaro

Em julho, o ministro André Mendonça autorizou a instauração de inquérito contra Flávio Bolsonaro, depois que a PF apresentou indícios de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas ligadas ao longa-metragem “Dark Horse“, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Documentos divulgados em setembro revelam que o senador negociou com Daniel Vorcaro ex-proprietário do Banco Master, um aporte de US$ 24 milhões para a produção do filme. Mensagens trocadas entre os dois os tratam como “irmãos”, indicando proximidade pessoal e profissional.

Inicialmente, Flávio descreveu a reportagem como falsa, mas posteriormente reconheceu ter procurado Vorcaro e caracterizou o aporte como “patrocínio privado para um filme privado”. Ele nega ter recebido comissões ou oferecido contrapartidas ao banqueiro. As investigações apontam que, antes mesmo da compra do Master pelo BRB ser rejeitada pelo Banco Central, Flávio mantinha cobranças e contato constante com Vorcaro, inclusive pouco antes da prisão do empresário.

Acusação de estupro contra o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar

O outro eixo da PF diz respeito a Alfredo Gaspar (PL-AL), indicado como vice-presidente na chapa de Flávio. O parlamentar foi alvo de denúncia de estupro de vulnerável. A ação levou a força-tarefa a solicitar autorização ao STF para abrir inquérito formal. Até o último posicionamento público, o ministro Gilmar Mendes aguardava a conclusão das diligências preliminares e a manifestação da Procuradoria-Geral da República.

Gaspar nega a acusação, assegurando ser vítima de perseguição política, e disponibilizou material genético para exame de DNA. O denunciante, que também encaminhou a queixa a parlamentares, apresentou versões contraditórias sobre os fatos, o que mantém o caso em fase investigativa sem decisão judicial até o momento.

Empréstimo imobiliário do Banco de Brasília e a compra da mansão em Lago Sul

Separadamente, a Polícia Federal abriu nova frente de apuração sobre um crédito concedido pelo Banco de Brasília (BRB) para a compra de uma mansão de aproximadamente R$ 6 milhões, localizada no Setor de Mansões Dom Bosco, Lago Sul. O contrato, assinado em 2021, previa 360 parcelas com taxa efetiva de 3,71% ao ano – inferior à taxa média de 4,85% praticada pelo próprio banco.

Do total, R$ 3,1 milhões foram financiados pelo BRB, enquanto o restante teria sido pago com recursos declarados pelo senador, que afirma receber cerca de R$ 56 mil mensais. Apesar do prazo de 30 anos, Flávio quitou o empréstimo em pouco mais de três anos por meio de amortizações extraordinárias, alegando que o dinheiro provinha de suas atividades como parlamentar, advogado e empresário. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, já está envolvido em investigações sobre o escândalo do Banco Master e a suposta manipulação de regras internas para beneficiar o senador.

Repercussões políticas e jurídicas

Os dois casos – o financiamento do filme e o empréstimo imobiliário – não são isolados. Ao longo de 2026, a PF também identificou ligações entre Flávio Bolsonaro e figuras investigadas em escândalos do INSS, bem como despesas pessoais pagas por empresas ligadas a parceiros de Vorcaro. Mensagens obtidas pela força-tarefa mostram cobranças de repasses, agendamento de encontros e acompanhamento de produção cinematográfica, mesmo após a deterioração das finanças do Banco Master.

Até o presente momento, Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e classifica as investigações como ataques políticos. O senador ainda não foi formalmente acusado em nenhum dos processos, mas a continuidade das apurações pode impactar drasticamente sua elegibilidade e a composição da chapa presidencial. O desfecho dessas investigações permanece incerto, enquanto o eleitorado observa de perto como as alegações de corrupção e abuso de poder influenciarão o cenário político nas semanas que antecedem o segundo turno.