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5 outubro 2026

Régia Capital reforça ESG como base de avaliação de risco

Saiba como a agenda ESG passou de discurso de marketing para parâmetro de risco e quais são as novas regras que afetam investidores e tomadores de crédito.

Régia Capital reforça ESG como base de avaliação de risco

A crise sanitária acelerou a exposição de vulnerabilidades corporativas e, ao mesmo tempo, colocou as questões ambientais, sociais e de governança (ESG) em evidência global. Durante a pandemia, fundos especializados, empresas e investidores inundaram o mercado com promessas de sustentabilidade, mas, poucos anos depois, o tema pareceu perder força nas manchetes. No Brasil, a mudança foi marcada pela Resolução 244 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), publicada em maio de 2026, que tornou voluntária a adoção dos relatórios de sustentabilidade a partir de 2027, sinalizando um recuo institucional.

ESG como parâmetro de risco nas recentes crises corporativas

Apesar da aparente desaceleração, episódios recentes mostraram que ignorar os indicadores ESG pode transformar um problema latente em crise financeira. Na Braskem, o afundamento do solo em Maceió gerou perdas bilionárias e pressionou o caixa da empresa. A Ambipar sofreu desgaste de reputação por falhas de governança, elevando a percepção de risco entre acionistas. Já as Casas Bahia enfrentam um passivo trabalhista de bilhões, afetando sua liquidez. Em nenhum desses casos as questões ESG foram a causa primária, porém, fatores não monitorados antecipadamente agravaram os resultados e revelaram lacunas na avaliação de crédito tradicional.

Régia Capital e a incorporação sistemática do ESG na análise de crédito

Para a gestora Régia Capital – fruto da parceria entre BB Asset e JGP – o ESG deixou de ser uma tendência passageira e virou camada adicional de análise de risco. Fernando Tinoco, sócio e gestor de crédito, explica que métricas ESG já podem ser quantificadas e integradas aos modelos financeiros. Uma multa ambiental, a interrupção de operações por acidente de trabalho ou a necessidade de investimentos climáticos inesperados são capazes de reduzir a geração de caixa e comprometer a capacidade de pagamento. “Não cobramos ESG por ideologia; cobramos por mitigação de risco”, afirma Tinoco.

Além de proteger o portfólio, a adoção de práticas sustentáveis abre acesso a capital mais barato. Empresas que atendem a requisitos ambientais conseguem taxas de juros menores, enquanto aquelas com certificação de boas práticas sociais podem aproveitar incentivos fiscais. Dados da ANBIMA revelam que, entre maio de 2025 e abril de 2026, metade dos fundos rotulados como sustentáveis superou o CDI, com retornos de até 17,6% ao ano – desempenho superior ao de fundos de renda fixa (11,9%) e multimercado (13,7%).

Novas diretrizes institucionais que reforçam o papel do ESG no crédito

O cenário institucional tem evoluído para consolidar o ESG como critério de avaliação. Em setembro de 2026, a PREVIC passou a exigir que fundos de pensão incluam fatores ESG nos processos de investimento e monitoramento. O programa federal Eco Invest já destinou R$ 55 bilhões em financiamentos mistos para projetos de inovação verde, totalizando R$ 200 bilhões desde seu lançamento em 2024. Simultaneamente, o Plano Safra 2026/27 criou linhas de crédito como Renovagro Ambiental, com taxa de 8,5% ao ano e carência de até oito anos, premiando propriedades com Cadastro Ambiental Rural regularizado e certificações sustentáveis com desconto de até um ponto percentual na taxa.

Essas medidas mostram que, no futuro próximo, empresas que não alinharem suas operações ao ESG enfrentarão custos de capital mais altos e maior escrutínio regulatório. Como conclui Tinoco, “o lucro e o ESG caminham lado a lado; quem se antecipa à agenda sustentável colhe vantagens competitivas e financeiras”.