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23 setembro 2026

Analistas elevam meta da Petrobras e ressaltam dividendos altos

UBS BB revisa alta para as ações da Petrobras, destaca produção acima da meta e dividendos elevados nos próximos anos.

Analistas elevam meta da Petrobras e ressaltam dividendos altos

Na tarde da última quarta-feira (23), os analistas Tasso VasconcellosJoão Baricello e Matheus Enfeldt do UBS BB, reforçaram a perspectiva otimista para a estatal Petrobras. Mantendo a recomendação de compra, o banco elevou o preço-alvo das ações ordinárias (PETR4) de R$ 60 para R$ 62, o que indica um potencial de valorização próximo a 28% em relação ao fechamento anterior. Para os American Depositary Receipts (ADRs) negociados na NYSE, a meta subiu de US$ 22 para US$ 23, sinalizando um ganho estimado de cerca de 11%.

Dividendos robustos e política de caixa

A política de distribuição de dividendos da Petrobras está diretamente ligada ao fluxo de caixa operacional. A projeção do UBS BB indica um dividend yield entre 10% e 11% para 2026, chegando a 13%-14% em 2027, mesmo após a forte alta acumulada das ações ao longo do ano. Essa rentabilidade coloca a companhia entre as que oferecem os maiores rendimentos de dividendos entre pares globais, reforçando a tese de investimento tanto sob a ótica macro-econômica quanto micro-econômica.

Impacto do preço do petróleo e cenário de preço-alvo

Os analistas ressaltam que o Brent tem se mantido acima de US$ 100, o que favorece diretamente a estatal exportadora líquida. Cada variação de US$ 1 no preço do barril refletiria um ajuste de aproximadamente 0,2 ponto percentual no dividend yield anual. O UBS BB projeta o Brent em US$ 85 no terceiro trimestre de 2026 (3T26), US$ 80 no quarto trimestre (4T26) e US$ 75 a partir de 2027. Paralelamente, o banco estima preços líquidos de combustíveis com subsídios governamentais: gasolina a R$ 3,05 por litro e diesel entre R$ 4,65 e R$ 5,42 nos trimestres 3T26 e 4T26. O crack spread previsto para 2027 é de US$ 11 por barril para gasolina e US$ 50 para diesel, com o diferencial do diesel normalizando em US$ 21 a partir de 2028.

Produção acima da meta e desafios no refino

Em agosto, a produção da Petrobras atingiu 2,89 milhões de barris por dia, elevando o acumulado anual para 2,69 milhões de barris diários. Esses números sustentam a projeção do UBS BB de 2,73 milhões de barris por dia em 2026 – superior à meta de 2,50 milhões indicada pela companhia – e 2,84 milhões em 2027, acima da orientação de 2,60 milhões. Contudo, o segmento de refino permanece aquém das expectativas: no segundo trimestre, a estatal foi a única entre pares latino-americanos, norte-americanos e europeus a registrar queda sequencial no EBITDA por barril. O banco atribui o resultado à manutenção de preços internos abaixo dos níveis internacionais, consequência dos subsídios e da política de corte de impostos PIS/Cofins.

Investimentos e riscos de capex

A administração tem sinalizado um aumento nos desembolsos de capital, aproveitando o fluxo de caixa “extraordinário” gerado pela produção robusta e pelos preços de venda elevados. O UBS BB estima um capex 10% acima do guidance oficial: US$ 18,6 bilhões em 2026 e US$ 19,6 bilhões em 2027. Entre as possíveis alocações estão participação em reestruturações como a da Braskem, expansão internacional (México, Venezuela, Bolívia, África), ampliação da capacidade de refino, e investimentos em etanol, fertilizantes e até mineração de minerais estratégicos. Contudo, o banco adverte que um aumento muito acima do previsto, com ou sem fusões e aquisições, representa um risco relevante para a visão positiva.

Na abertura do pregão de 23, as ações preferenciais (PETR4) subiam 2,21%, cotadas a R$ 49,42, enquanto as ordinárias (PETR3) avançavam 2,22%, a R$ 54,38, tornando-se os papéis mais negociados da B3 naquele momento. O desempenho aliado ao cenário de preços de petróleo elevado sustenta a confiança do UBS BB na Petrobras como uma das empresas mais bem posicionadas para capturar a alta dos preços globais de energia.