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22 setembro 2026

Eleição pode elevar dólar a R$7 e puxar Ibovespa para menos de 107 mil pontos

A disputa acirrada entre Lula e Flávio está criando padrões históricos no mercado, e a ausência de disciplina fiscal pode levar o dólar a R$7 e o Ibovespa a cair abaixo de 107 mil.

Eleição pode elevar dólar a R$7 e puxar Ibovespa para menos de 107 mil pontos

Os analistas da Empiricus e do BTG Pactual alertam que a falta de um plano fiscal coerente pode fazer o dólar ultrapassar a marca de R$ 7, ao mesmo tempo em que o Ibovespa poderia recuar para menos de 107 mil pontos. O cenário ganha força à medida que a corrida eleitoral se intensifica e as expectativas de política econômica se tornam mais voláteis.

Impacto das pesquisas de Flávio Bolsonaro nos índices

De acordo com dados extraídos da plataforma de previsões Polymarket e do índice MSCI Brasil cada dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avançou nas pesquisas de intenção de voto gerou um ganho médio de 0,72% no MSCI. O cálculo abrange o período até a última terça-feira, 15 de setembro, e demonstra um ritmo de alta superior ao observado nos meses anteriores, quando a média era de 0,08% em julho e 0,10% em agosto.

Comparação com o pleito de 2014

O JP Morgan traça paralelos entre a atual disputa e a eleição de 2014, quando a corrida foi entre a ex-presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves. Naquele ciclo, o mercado registrou queda leve seguida por recuperação após o primeiro turno. Hoje, porém, existe uma diferença crucial: o provável vencedor seria da oposição (Flávio Bolsonaro), não do incumbente Lula (PT). Essa inversão pode gerar uma valorização precoce da bolsa, sobretudo se o Senado permanecer conservador e a vantagem da oposição se confirmar já no primeiro turno.

Possíveis repercussões para a moeda e para a bolsa

Se o governo não implementar maior disciplina fiscal a pressão sobre o dólar pode ser ainda maior, ultrapassando a zona de R$ 7. Simultaneamente, a incerteza política pode arrastar o Ibovespa para níveis abaixo de 107 mil pontos, especialmente se investidores estrangeiros reduzirem a exposição ao risco brasileiro. Por outro lado, um cenário de ajuste fiscal mais rigoroso poderia reforçar a confiança dos mercados e ampliar a alta observada em outubro, mês tradicionalmente favorável às eleições.

Visão dos analistas para o segundo semestre

O JP Morgan enfatiza que, embora fatores globais costumem conduzir os mercados latino-americanos, períodos eleitorais podem inverter essa dinâmica, colocando os eventos internos em primeiro plano. Quando isso acontece, a volatilidade costuma ser mais intensa do que a explicada apenas pelo beta global. Assim, a combinação de um calendário eleitoral apertado e a ausência de uma estratégia fiscal clara cria um ambiente propenso a movimentos bruscos tanto no câmbio quanto nas ações.

Em síntese, o risco de um dólar acima de R$ 7 e de um Ibovespa caindo sob 107 mil pontos está ligado à capacidade do governo de conduzir reformas fiscais antes do pleito de outubro. Enquanto o mercado observa cada ponto ganho por Flávio nas pesquisas, investidores aguardam sinais de política econômica que possam estabilizar a trajetória dos principais indicadores financeiros.

Autor

Bruno Costa