O Supremo Tribunal Federal (STF) está imerso em um dos julgamentos mais tensos de sua história recente. Nesta terça-feira (15), os ministros começaram a analisar as conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A sessão, que começou às 10h, tem como objetivo decidir sobre a abertura de uma investigação contra Moraes.
O julgamento, no entanto, começou com um revés. Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos de participar, reduzindo o número de votantes para sete. Além disso, Moraes, que é o objeto da investigação, não poderá se manifestar. A participação do ministro André Mendonça também é incerta, devido a um julgamento marcado para a próxima quarta-feira (23), que trata da nulidade do relatório da Polícia Federal sobre as conversas entre Moraes e Vorcaro.
Ministros se declaram impedidos ou suspeitos
Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que sua missão de assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026 é mais importante do que seu papel neste julgamento. Ele negou qualquer envolvimento com Vorcaro ou com o Banco Master, afirmando que nunca julgou processos relacionados ao caso e que seu filho nunca prestou serviços ao banco.
Dias Toffoli, por sua vez, declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo, após revelações de que vendeu parte de um resort no Paraná para um fundo ligado ao Banco Master. Toffoli afirmou que não cometeu nenhuma ilicitude, mas decidiu não participar do julgamento para não constranger a Corte. Ele, no entanto, permanecerá no plenário e poderá se manifestar se julgar necessário.
O caso que divide o STF
O julgamento gira em torno da petição 16.662, aberta após André Mendonça tornar públicas, em 1º de setembro, mensagens que associam Alexandre de Moraes ao banqueiro Daniel Vorcaro. As mensagens revelam que Vorcaro cobrava atenção especial aos pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
As investigações apontam que a última versão do contrato foi salva pelo próprio ministro do STF. Além disso, as mensagens indicam que Vorcaro pediu a Moraes que interferisse em seu favor junto ao diretor da Polícia Federal e ao procurador-geral da República. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua prisão, Vorcaro perguntou a Moraes se ele já teria que estar fora do país.
Mendonça pediu a Fachin que convocasse o plenário para deliberar o caso, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade da investigação da PF. Moraes, por sua vez, reagiu enviando um pedido de investigação contra Mendonça, acusando-o de ilegalidades na condução dos inquéritos do Master e do INSS.
Os ministros que votarão
Os ministros que participarão do julgamento são Edson Fachin (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Mendonça e Fux já deram sinais de serem favoráveis à abertura de investigação, enquanto Dino e Gilmar indicaram contrariedade.
Este julgamento é crucial para o futuro do STF e pode ter repercussões significativas no cenário político brasileiro. A decisão final será aguardada com grande expectativa por todos os envolvidos e pela sociedade.



