O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou uma desaceleração no segundo trimestre de 2026, registrando um crescimento de apenas 0,5% em comparação com os três meses anteriores. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a economia está sentindo os efeitos dos juros elevados que têm impactado significativamente o consumo das famílias.
Após um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre, a economia brasileira mostrou sinais de enfraquecimento. O consumo das famílias, um dos principais motores da economia, recuou 0,4%, a primeira taxa negativa após dois trimestres consecutivos de avanço. Esse resultado reforça as expectativas de uma desaceleração contínua.
Setores que resistem à desaceleração
A agropecuária e a indústria extrativa foram os setores que mais contribuíram para evitar uma desaceleração ainda maior do PIB. A agropecuária registrou um crescimento de 2,8%, enquanto a indústria extrativa avançou 3,4%. Esses setores são menos afetados pelos juros elevados, segundo a economista Juliana Trece do FGV Ibre.
“As famílias estão muito endividadas, e os juros elevados acabam sendo uma barreira para o crédito. Tudo isso mexe na dinâmica. Mas a economia seguiu crescendo, muito sustentada pelas atividades não tão relacionadas aos juros”, afirma Trece.
Impacto dos juros elevados
O economista Yihao Lin da Genial Investimentos destaca que a retração do consumo das famílias é particularmente relevante, uma vez que ocorre mesmo diante de uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos. “Os efeitos da política monetária contracionista, do elevado comprometimento de renda e das condições ainda restritivas de crédito começam a se sobrepor”, explica Lin.
Os dados do IBGE mostram que os serviços (0,2%) e a indústria (0,1%) ficaram praticamente estagnados no segundo trimestre. A indústria vinha de alta de 1,2% nos três meses iniciais de 2026 e perdeu ritmo no segundo trimestre sob impacto das quedas da transformação (-0,4%) e da construção (-0,4%).
Projeções e riscos futuros
O economista-chefe do banco BVRoberto Padovani afirma que os dados mostram uma economia que ainda cresce por conta da renda agropecuária e extrativa, mas a expectativa é de que os efeitos do agro diminuam no terceiro trimestre. Ele projeta uma expansão de 0,2% no próximo trimestre e de 1,9% no ano.
Analistas também chamam a atenção para a ameaça do fenômeno climático El Niño que pode prejudicar a agropecuária a partir do final deste ano. “Tem esses riscos atrelados à atividade que está sendo motor do nosso crescimento”, diz Juliana Trece, do FGV Ibre.
O mercado financeiro espera uma alta de 1,92% para o PIB no acumulado de 2026, conforme a mediana das projeções do boletim Focus, do Banco Central. Apesar dos desafios, o governo do presidente Lula (PT) tem apostado em medidas de estímulo à economia nos últimos meses.



