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31 agosto 2026

Vale: Otimismo com decreto de cavidades e escassez de engenheiros desafiam projetos

O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, expressa otimismo com um decreto que pode acelerar o licenciamento ambiental e destaca a escassez de engenheiros como um desafio crítico para a expansão da mineradora.

Vale: Otimismo com decreto de cavidades e escassez de engenheiros desafiam projetos

A Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, está em um momento crucial de expansão e transformação. O CEO da companhia, Gustavo Pimenta tem sido uma voz ativa sobre os desafios e oportunidades que a empresa enfrenta. Recentemente, ele destacou dois temas centrais: o potencial de um decreto que pode destravar investimentos no setor de mineração e a escassez de engenheiros qualificados que impacta os projetos da Vale.

O decreto de cavidades e o futuro da mineração

Em uma recente declaração, Pimenta expressou otimismo em relação a um decreto que trata das cavidades no setor de mineração. Esse decreto, que está em discussão há mais de 20 anos, tem o potencial de acelerar o licenciamento ambiental tornando os processos mais céleres e eficientes. “Está caminhando, depois de 20 anos, hoje acho que posso dizer que me sinto otimista que esse processo está próximo de sair e liberaria sim volumes, que vai ser ao longo dos próximos anos”, afirmou o CEO.

O decreto estabelece normas de proteção ambiental para cavernas e formações subterrâneas, classificando-as pelo grau de relevância ecológica. A modernização dessa norma busca flexibilizar o licenciamento em áreas de menor sensibilidade ambiental, permitindo que mineradoras explorem jazidas valiosas de minério de ferro e cobre que antes ficavam bloqueadas. Essa mudança pode ser um game-changer para a Vale, que tem grandes projetos em desenvolvimento, como o Programa Novo Carajás.

Escassez de engenheiros: um desafio crítico

Além das oportunidades regulatórias, a Vale enfrenta um desafio significativo: a escassez de engenheiros qualificados. “Estamos com dificuldades de formar novos líderes, formar novos engenheiros, para a Vale, isso é uma dor…”, declarou Pimenta. A capacitação de engenharia é fundamental para projetos complexos, e a falta de profissionais qualificados tem sido um calcanhar de Aquiles para a indústria.

A Vale tem investido em parcerias com escolas técnicas e faculdades para formar novos engenheiros, mas o desafio persiste. Em alguns casos, a companhia tem sido obrigada a recorrer a engenheiros fora do Brasil. “Isso não é adequado, a gente deveria ser capaz de cobrir tudo com os recursos internos”, afirmou Pimenta. A escassez de profissionais qualificados pode impactar a capacidade da Vale de executar seus projetos de expansão, como o aumento da produção de minério de ferro e cobre.

Investimentos e expansão

No ano passado, a Vale anunciou dois grandes pacotes de investimentos: R$ 70 bilhões no Programa Novo Carajás até 2030 e um montante semelhante em ativos em Minas Gerais. Esses investimentos visam expandir minas e aumentar a produção de minério de ferro e cobre. “Com essa aceleração do próprio ‘pipeline’ de crescimento da Vale, estamos fazendo mais projetos, a empresa voltou a crescer… a gente se deparou com esse desafio de falta de engenheiros e de falta de empresas de engenharia fortalecidas que pudessem nos auxiliar”, disse o executivo.

Pimenta também destacou a importância de atrair jovens para a indústria da mineração. “O setor de mineração tem o desafio de mostrar para os jovens estudantes que a ‘indústria real’ pode ser atrativa. O que a gente faz de fato muda o mundo, acredito profundamente que a mineração faz o mundo melhor”, afirmou. A Vale tem feito parcerias com o sistema S de formação profissional para capacitar novos talentos.

Impacto no mercado

As declarações de Pimenta têm tido um impacto significativo no mercado. Durante a Exposibram, em Belo Horizonte, o CEO indicou um potencial de destravar de 40 milhões a 50 milhões de toneladas adicionais de minério de ferro na Serra Sul, em Carajás (PA). Essa notícia impulsionou as ações da Vale, que subiram quase 2% após a declaração. “Assim que a declaração foi dada por Pimenta, os papéis da Vale chegaram à máxima do dia, cotados a R$ 78,28”, relataram fontes do mercado.

A Vale também está focada em expandir seu portfólio de metais, com destaque para o cobre que tem ganhado relevância estratégica no contexto da transição energética mundial. A companhia projeta dobrar a produção do metal nos próximos anos, ao mesmo tempo em que mantém a trajetória contínua de crescimento na extração do minério de ferro. Além disso, a mineradora está avaliando novas frentes de mercado, como a exploração de terras raras e minerais críticos, para entender se o segmento pode somar ao portfólio.

O decreto de cavidades pode ser um grande impulso para a empresa, enquanto a escassez de engenheiros qualificados representa um desafio que precisa ser superado. Com investimentos significativos e um foco em atrair novos talentos, a Vale está posicionada para continuar sua trajetória de crescimento e expansão.

Autor

Bruno Costa