No passado, a busca por orientação financeira era direcionada a figuras tradicionais como gerentes de banco e assessores. Hoje, muitos iniciam essa jornada por meio de plataformas como o Instagram, seguindo finfluencers.
Essa mudança não é necessariamente negativa. Os influenciadores financeiros têm desempenhado um papel crucial na democratização do acesso à informação financeira tornando conceitos complexos mais acessíveis e alcançando públicos que o mercado tradicional tinha dificuldade de engajar.
O papel dos finfluencers na educação financeira
Explicar o que é um CDB é diferente de recomendar onde investir. A fronteira entre educação financeira e orientação personalizada é delicada e exige responsabilidade. Uma orientação equivocada pode comprometer economias, adiar aposentadorias ou aumentar o endividamento, impactando tanto a saúde financeira quanto a mental.
O estudo FInfluence realizado pela ANBIMA em parceria com o Ibpad identificou 904 influenciadores de finanças nas redes sociais no segundo semestre de 2026, um aumento de 12,6% em relação ao semestre anterior. Juntos, eles somam 310,7 milhões de seguidores, um crescimento de mais de 300% em pouco mais de cinco anos.
Certificação: um ativo reputacional
A certificação é importante por duas razões. Primeiro, há atividades reguladas que exigem habilitação específica, como a análise de valores mobiliários, regulada pela CVM. Segundo, mesmo para quem não exerce atividades reguladas, a qualificação é um ativo reputacional.
A certificação não transforma automaticamente alguém em um bom influenciador, mas demonstra que a pessoa se dispôs a estudar e teve seus conhecimentos avaliados. Em um ambiente onde qualquer um pode falar sobre investimentos, essa distinção é valiosa.
Iniciativas da ANBIMA para maior transparência
Em 2026, a ANBIMA estabeleceu regras para instituições que contratam influenciadores, exigindo a verificação de certificações e a transparência em conteúdos publicitários. Em 2026, lançou o Tá na Rede um manual de melhores práticas para finfluencers, traduzindo regras complexas para uma linguagem acessível.
No ano passado, a ANBIMA ampliou a identificação de certificações no estudo FInfluence, incluindo 33 influenciadores com certificações do mercado financeiro. Essa iniciativa visa tornar a qualificação mais visível, sem criar um ranking de bons e ruins, mas destacando a importância da qualificação para quem busca orientação financeira.
A reputação nas redes sociais tem sido construída com base em métricas de audiência, mas, quando o assunto é dinheiro, é essencial perguntar: o que qualifica essa pessoa para falar sobre isso? Essa pergunta interessa a todos, desde os influenciadores até os investidores.



