A Polícia Federal iniciou, nesta terça-feira (25), uma nova fase de investigação sobre possíveis irregularidades na aplicação de recursos previdenciários. Desta vez, o foco está em Campo Grande, onde o Instituto Municipal de Previdência (IMPCG) investiu R$ 1,2 milhão em letras financeiras do Banco Master, instituição financeira liquidada e ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A Operação Presciência busca apurar a conduta de servidores e agentes públicos envolvidos nas decisões de investimento. A investigação suspeita de gestão temerária e corrupção tanto ativa quanto passiva, no processo decisório que levou ao investimento em ativos de alto risco.
Mandados de busca e quebra de sigilos
A operação incluiu a execução de seis mandados de busca e apreensão em órgãos públicos e residências de servidores. Entre os locais visitados estão o próprio IMPCG, a Secretaria de Assistência Social e Cidadania, e residências de servidores municipais. Além disso, foram determinadas medidas de quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados.
De acordo com a Polícia Federal, um relatório de auditoria do Ministério da Previdência Social apontou possíveis irregularidades no processo decisório que resultou no investimento. A autoridade policial afirma que há indícios de que servidores envolvidos no processo teriam deixado de observar procedimentos técnicos e administrativos, expondo o patrimônio do RPPS municipal a riscos.
Outros regimes previdenciários afetados
O caso de Campo Grande não é isolado. Outros 17 regimes próprios de previdência de servidores também teriam investido em papéis do Banco Master, num montante estimado em R$ 1,87 bilhão sem proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Entre os regimes afetados estão a Rioprevidência, do Rio de Janeiro, com R$ 970 milhões iniciais e R$ 3 bilhões em avanço da investigação.
Na lista de regimes próprios afetados pela liquidação do Banco Master estão os dos estados do Amapá (R$ 400 milhões) e Amazonas (R$ 50 milhões), e das cidades de Maceió (R$ 97 milhões), São Roque (SP, R$ 93,15 milhões), Cajamar (SP, R$ 87 milhões), Itaguaí (RJ, R$ 59,6 milhões), e Aparecida de Goiânia (GO, R$ 40 milhões).
Operações anteriores
Além de Campo Grande, fundos previdenciários do Rioprevidência, Amapá, Maceió e Cajamar já foram alvo de ações da Polícia Federal relacionadas a suspeitas sobre investimentos no Banco Master. As investigações nesses casos apuram, entre outras hipóteses, possíveis fraudes, corrupção, gestão temerária e falhas nos mecanismos de controle.
No Rioprevidência, a Operação Barco de Papel investiga a aplicação de mais de R$ 3 bilhões e alcançou o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), ex-diretores e executivos do fundo. No Amapá, a Polícia Federal apura a concentração de R$ 400 milhões em ativos considerados de alto risco, enquanto em Maceió a investigação envolve um aporte de R$ 97 milhões e possíveis falhas nas etapas de governança.
Em Cajamar, a Operação Off-Balance investiga a aplicação de R$ 87 milhões, valor equivalente a cerca de 19% do patrimônio líquido do fundo municipal. A operação também apura suspeitas de desvio e aplicação inadequada dos recursos e resultou no afastamento de gestores públicos.
Prefeitura de Campo Grande se manifesta
A Prefeitura de Campo Grande informou que acompanha as investigações e ressaltou que a capital foi uma das primeiras cidades a assegurar o ressarcimento integral dos valores, afastando prejuízos aos cofres públicos. Conforme a administração municipal, a operação de R$ 1,2 milhão foi realizada em abril de 2026 de acordo com a Resolução CMN nº 4.963/2026 e a Política Anual de Investimentos do órgão.
O papel financeiro tinha vencimento original projetado para abril de 2029, mas a data foi antecipada após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição bancária em novembro de 2026. O município ajuizou uma ação de compensação de créditos perante a 3ª Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos, obtendo liminar favorável para o depósito judicial do valor corrigido e o impedimento de cobranças ligadas a consignados.
A Prefeitura declarou ainda que os procedimentos da PF fazem parte de um contexto de apurações nacionais e reforçou que segue prestando todos os esclarecimentos solicitados.



