O mercado de criptomoedas está em ebulição. Nesta quinta-feira, o Bitcoin ultrapassou a marca de US$ 72 mil registrando um aumento de 11,7% nas últimas 24 horas. Enquanto isso, o Ethereum disparou 18,5% alcançando US$ 2.282. Esses números representam um movimento significativo no mercado, que tem chamado a atenção de investidores e analistas.
Mas o que está por trás dessa alta? Vários fatores contribuíram para esse cenário, incluindo decisões do Tesouro dos Estados Unidos a liquidação de posições vendidas e o fortalecimento dos ETFs de criptomoedas. Vamos explorar cada um desses elementos para entender melhor o que está impulsionando o mercado.
Decisões do Tesouro dos Estados Unidos e Seu Impacto
Na quarta-feira, o Tesouro dos Estados Unidos anunciou que dobraria o tamanho das operações de recompra de títulos de longo prazo, para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. Essa medida, que começa em 9 de setembro foi interpretada pelo mercado como uma tentativa de dar suporte à liquidez no mercado de Treasuries que tem enfrentado pressões devido à alta dos juros longos.
Essa decisão teve um impacto imediato nos mercados financeiros. Os títulos reagiram em alta, com queda nos yields. O juro americano de 30 anos caiu cerca de 9 pontos-base, enquanto o rendimento de 10 anos também recuou. Esse ambiente favorece a narrativa do Bitcoin como um ativo escasso e fora da lógica de expansão da dívida pública.
Liquidações de Posições Vendidas e o Papel dos ETFs
O movimento de alta do Bitcoin ganhou força com uma forte onda de liquidações de posições vendidas. Segundo dados da CoinGlass cerca de US$ 243 milhões em posições short foram liquidadas em apenas uma hora. Esse tipo de movimento costuma acelerar a alta porque os traders vendidos são obrigados a recomprar os ativos para encerrar posições, alimentando ainda mais a pressão compradora.
Os ETFs também desempenharam um papel crucial nesse cenário. Fundos de Bitcoin à vista dos Estados Unidos registraram US$ 517 milhões em entradas líquidas em 19 de agosto, a maior captação diária desde maio. Os ETFs de Ethereum atraíram US$ 189 milhões o melhor resultado desde outubro de 2026. Esses números indicam um retorno do fluxo institucional, que tem dado mais sustentação ao rompimento das resistências.
O Papel do Dólar e do Cenário Político
O dólar mais fraco também tem contribuído para esse cenário. O índice DXY que mede a moeda americana contra uma cesta de divisas fortes, caiu cerca de 3% desde o fim de julho. Um dólar em queda costuma aliviar ativos de risco e favorecer criptomoedas, especialmente quando combinado com juros longos em recuo.
Além disso, o cenário político também tem influenciado o mercado. Em um evento na Casa Branca o presidente Donald Trump pediu que o Congresso aprovasse uma “versão justa” do Clarity Act um projeto que busca estabelecer regras mais claras para o mercado de ativos digitais nos Estados Unidos. Esse movimento tem sido visto como um sinal positivo para o setor.
No curto prazo, o principal teste do Bitcoin será a região dos US$ 72 mil e, em seguida, a tentativa de sustentar o caminho até US$ 75 mil. Para o Ethereum o mercado observa se o preço consegue se manter acima de US$ 2.200 depois de uma alta tão rápida. Ainda assim, a combinação de juros longos em queda, dólar mais fraco, entrada em ETFs e liquidação de posições vendidas mudou o tom do mercado cripto, reacendendo a aposta de que uma nova perna de alta pode estar começando.



