A Oncoclínicas (ONCO3) está passando por um momento delicado, com um prejuízo líquido de R$ 475,7 milhões no segundo trimestre de 2026. Esse valor representa um aumento de 234% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a empresa registrou um prejuízo de R$ 142 milhões.
A situação se agravou com a crise de desabastecimento de medicamentos iniciada em março de 2026, que impactou diretamente o volume de tratamentos e, consequentemente, a receita da empresa. Além disso, despesas extraordinárias, como ajustes contábeis e multas, pesaram significativamente nos resultados do trimestre.
Impacto da crise de medicamentos nos resultados
A receita líquida da Oncoclínicas caiu 28,5% atingindo R$ 1,0477 bilhão no segundo trimestre de 2026. Esse declínio está diretamente relacionado à redução no volume de provisões de PCLD durante o período. O número de procedimentos realizados caiu para aproximadamente 114 mil uma queda significativa em relação aos trimestres anteriores.
O ticket médio cobrado dos pacientes, por outro lado, aumentou 9,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, refletindo o repasse da inflação. As despesas operacionais subiram 30% totalizando R$ 513 milhões.
Ajustes contábeis e despesas extraordinárias
A empresa reconheceu vários ajustes contábeis que impactaram significativamente o resultado do trimestre. Entre eles, destaca-se um impacto não recorrente de anos passados, que gerou um efeito de aproximadamente R$ 72 milhões.
As despesas operacionais foram afetadas por:
- R$ 30,5 milhões de provisionamento de risco de perda de crédito relacionado à Unimed Leste Fluminense
- R$ 78 milhões de impairment do BTS de Goiânia
- R$ 76 milhões de multa pela rescisão do contrato de locação do imóvel do Centro Paulista de Oncologia na Avenida Angélica em São Paulo.
Ebitda ajustado e perspectivas futuras
Apesar da deterioração dos resultados, o Ebitda ajustado da Oncoclínicas ficou positivo em R$ 34,2 milhões com uma margem de 3,3%. Esse resultado representa uma alta de 170% em relação ao primeiro trimestre de 2026, mas uma queda de 85,1% na comparação anual.
A empresa atribui esse desempenho à desalavancagem operacional do período, causada pelo menor volume de atendimentos e pela manutenção de despesas fixas elevadas. A Oncoclínicas busca o reperfilamento de dívidas financeiras quirografárias de aproximadamente R$ 5,1 bilhões além de créditos intercompany.
A situação atual da Oncoclínicas é resultado de uma sucessão de eventos, incluindo a tentativa de expansão após sua oferta pública de ações (IPO) em 2026. A estratégia de aquisição de hospitais, embora ambiciosa, não foi bem-sucedida devido à falta de expertise para gerir áreas hospitalares além da oncológica.



