A Hapvida, maior operadora de saúde do Brasil, está passando por um período de ajustes financeiros e estratégicos em 2026. Com um lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões no segundo trimestre, a empresa registrou uma queda significativa de 95,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse cenário reflete os desafios que a companhia está enfrentando, mas também a determinação em reverter a situação.
O novo CEO, Luccas Adib, assumiu a operação em abril, substituindo Jorge Pinheiro, que passou a ocupar a cadeira de presidente do conselho de administração. Adib reconhece que os problemas não serão resolvidos em poucos trimestres, mas está comprometido com um trabalho de aperfeiçoamento contínuo.
Resultados financeiros e desafios
A receita líquida da Hapvida teve um aumento de 3,9% no período, alcançando R$ 8 bilhões. No entanto, o Ebitda ajustado caiu 44,3%, para R$ 504,4 milhões, abaixo das expectativas dos analistas, que projetavam R$ 629 milhões. A sinistralidade caixa subiu para 75,2%, e a alavancagem financeira atingiu 1,61 vez, acima do múltiplo de 0,95 vez registrado um ano antes.
Esses números refletem um cenário de pressão persistente sobre as margens operacionais, conforme destacado pela agência Fitch, que rebaixou o rating nacional da companhia em dezembro. A agência também projetou um fluxo de caixa livre negativo até o fim de 2026, aumentando as preocupações sobre a capacidade da empresa de financiar sua expansão e reduzir a alavancagem sem recorrer a novas captações.
Estratégias de recuperação e mudanças na gestão
Para recuperar a saúde financeira, a Hapvida está implementando várias estratégias. Uma das iniciativas mais recentes foi o lançamento da marca NotreDame Saúde voltada para o público premium. Esse novo plano beneficia clientes que já estão no topo do atendimento da companhia, oferecendo uma estrutura mais exclusiva, concierge, aplicativo e identidades próprias.
O foco desse novo plano passa a ser hospitais conveniados como o Sírio-LibanêsAlbert EinsteinHCorNove de Julho e Mater Dei além das redes de laboratórios Fleury e Dasa. A ideia é melhorar a rentabilidade da companhia, já que este modelo de plano de saúde tem um tíquete médio maior.
Além disso, a Hapvida está revisando sua estrutura organizacional, descentralizando as tomadas de decisão em algumas regiões. Essa mudança visa permitir que os gestores locais tenham mais autonomia para tomar decisões que atendam às necessidades específicas de cada região.
Desafios e perspectivas futuras
A empresa também está enfrentando a necessidade de desalavancagem, que já foi colocada como prioridade por Pinheiro. No primeiro trimestre de 2026, a Hapvida alcançou uma relação dívida líquida versus Ebitda de 1,38 vez, acima do registrado no mesmo período de 2026. O mercado especula que a companhia pode vender ativos na Região Sul para reduzir sua dívida.
Apesar dos desafios, o novo CEO, Luccas Adib, afirma que não há mais divergências entre os principais acionistas. A relação com a Squadra que hoje tem uma posição acionária de 5,2%, é descrita como positiva. Todos os envolvidos estão trabalhando juntos para o melhor da companhia.
A Hapvida, que já chegou a valer perto de R$ 100 bilhões em 2026, hoje tem um valor de mercado de R$ 5,6 bilhões. As ações da companhia recuaram 5,69% na quarta-feira, 5 de agosto, refletindo a percepção de risco entre os investidores. No entanto, o CEO está confiante de que as mudanças implementadas começarão a mostrar resultados nos próximos trimestres.



