O JPMorgan anunciou uma mudança significativa em sua estratégia de investimentos, rebaixando a recomendação do Brasil de overweight para neutro. Essa decisão reflete uma visão mais cautelosa em relação ao cenário econômico e político do país, que tem enfrentado desafios como a desaceleração do crescimento e a deterioração do ciclo de crédito.
O banco projeta um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic em setembro, seguido por uma pausa prolongada até o segundo trimestre de 2027. Além disso, o Ibovespa teve seu preço-alvo para o fim de 2026 reduzido de 190 mil para 185 mil pontos, indicando uma expectativa de menor desempenho no curto prazo.
Fatores que influenciaram a decisão do JPMorgan
Vários fatores contribuíram para a decisão do JPMorgan de rebaixar a recomendação do Brasil. Entre eles, destacam-se:
- Fim do ciclo de flexibilização monetária O banco acredita que o ciclo de cortes na taxa Selic está chegando ao fim, o que pode impactar o crescimento econômico.
- Desaceleração econômica A economia brasileira tem mostrado sinais de desaceleração, o que aumenta a incerteza entre os investidores.
- Deterioração do ciclo de crédito O crédito tem se tornado mais escasso e caro, o que pode afetar o consumo e o investimento.
- Volatilidade pré-eleitoral O período pré-eleitoral costuma trazer maior volatilidade ao mercado, o que pode desestimular investimentos.
Perspectivas políticas e econômicas
A perspectiva política no Brasil é considerada incerta pelo JPMorgan. O banco destaca que o próximo governo terá de enfrentar desafios significativos, como juros reais elevados e déficit fiscal. Esses fatores podem limitar o espaço para políticas econômicas expansivas e aumentar a pressão sobre as contas públicas.
Além disso, o banco ressalta que os ativos brasileiros tendem a ter um desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições. Embora o Ibovespa tenha subido em julho, o mercado está recuando em agosto, com expectativa de maior volatilidade nos próximos meses.
Oportunidades em setores específicos
Apesar da postura mais cautelosa em relação ao Brasil o JPMorgan identifica oportunidades em setores específicos. O banco destaca empresas com exposição internacional e menor dependência do ciclo doméstico como exportadoras e companhias de alta qualidade.
Entre as ações preferidas do banco estão EmbraerWEGSuzano e Vale. Essas empresas são vistas como mais resilientes em um ambiente de maior incerteza macroeconômica, graças à sua capacidade de entregar resultados mais previsíveis.
O JPMorgan também mantém uma postura cautelosa em relação ao consumo doméstico, devido à pressão de juros altosmaior endividamento e inflação de alimentos. No entanto, algumas empresas do setor, como RD Saúde e Bradsaúde são destacadas por sua resiliência e potencial de crescimento.
No setor imobiliário, a Tenda e a Multiplan são as preferidas do banco, beneficiadas por programas habitacionais e descontos relevantes em relação aos níveis históricos. Já no setor financeiro, o BTG Pactual é destacado por sua capacidade de atravessar diferentes cenários econômicos.
Por fim, a Vibra Energia é a principal aposta do banco no segmento de petróleo e gás, graças a margens estruturalmente mais fortes e um ambiente competitivo mais racional. Na área de infraestrutura e transportes, a Motiva é destacada por potenciais ganhos com reequilíbrios contratuais em concessões rodoviárias.



