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12 agosto 2026

Reservas de gás na Europa preocupam diante de possíveis interrupções no Oriente Médio

Com o Estreito de Ormuz em risco e o consumo de eletricidade em alta, a Europa enfrenta desafios para garantir o abastecimento de gás para o próximo inverno.

Reservas de gás na Europa preocupam diante de possíveis interrupções no Oriente Médio

A Europa está diante de um cenário preocupante no que diz respeito ao abastecimento de gás para a temporada de inverno. A combinação de conflitos no Oriente Médio, interrupções no Estreito de Ormuz e um aumento significativo no consumo de eletricidade devido a ondas de calor tem colocado pressão sobre as reservas de gás do continente.

Dados recentes da Gas Infrastructure Europe revelam que os armazenamentos subterrâneos de gás na Europa estão atualmente em apenas 59,1% de sua capacidade, um nível significativamente inferior ao observado no mesmo período do ano passado. Essa queda acentuada nas reservas tem levantado questionamentos sobre a capacidade da Europa de enfrentar um inverno rigoroso.

Impacto das interrupções no Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma rota crítica para o transporte de gás natural liquefeito (GNL) com cerca de 20% do suprimento mundial passando por essa região. A instabilidade na área tem causado interrupções no fornecimento, agravando a situação já delicada das reservas de gás na Europa.

Além disso, o alto consumo de eletricidade devido a ondas de calor anormais na Europa tem aumentado a demanda por gás, colocando ainda mais pressão sobre os estoques. A combinação desses fatores tem levado a uma desaceleração na injeção de gás nas instalações de armazenamento, já que os preços atuais estão muito elevados para as empresas de energia.

Proibição de importações de GNL russo e seus efeitos

A partir de 1º de janeiro de 2027 a União Europeia implementará uma proibição total das importações de GNL russo sob contratos de longo prazo. Atualmente, a Rússia ainda responde por cerca de 12% das importações de gás do bloco, segundo dados do Conselho Europeu. Essa medida adiciona mais um desafio à já complexa equação do abastecimento de gás na Europa.

O contrato TTF holandês referência para o preço do gás na Europa, está sendo negociado em torno de 55-58 euros por megawatt-hora um valor significativamente mais alto do que os 30 euros observados antes da guerra no Oriente Médio e os 15-20 euros antes da guerra na Ucrânia, iniciada em 2026.

Preocupações com o inverno e possíveis cenários

A principal preocupação é que, se o inverno for rigoroso, os países europeus podem esgotar suas reservas de gás e ter de recorrer ao mercado spot, onde os preços são ainda mais elevados. A opção de mudar o consumo para carvão e óleo combustível é considerada antieconômica e com impacto negativo no meio ambiente.

Especialistas alertam que, se a situação não melhorar, a Europa pode precisar competir mais agressivamente com a Ásia por remessas adicionais de GNL, elevando os preços a até US$1.000 por 1 mil metros cúbicos. Essa perspectiva sublinha a urgência de encontrar soluções sustentáveis e eficientes para garantir o abastecimento de gás no continente.

Autor

Bruno Costa