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12 agosto 2026

Capital estrangeiro retorna à B3 em julho: o que esperar do segundo semestre?

O Brasil registrou entrada de R$ 2,558 bilhões em julho, revertendo a tendência de saída de capital estrangeiro. Saiba mais sobre os fatores que impulsionaram esse movimento e os desafios que ainda persistem.

Capital estrangeiro retorna à B3 em julho: o que esperar do segundo semestre?

O mês de julho de 2026 marcou um ponto de virada no mercado financeiro brasileiro, com a interrupção de dois meses consecutivos de saída de capital estrangeiro da B3. A Bolsa de Valores brasileira fechou o mês com um ingresso líquido de R$ 2,558 bilhões, elevando o saldo anual para R$ 36,406 bilhões. Esse valor representa um aumento de 81% em relação ao mesmo período do ano anterior, indicando um renovado interesse dos investidores internacionais.

No entanto, apesar desse movimento positivo, o cenário para o segundo semestre permanece incerto, com várias incertezas externas e domésticas, incluindo o cenário eleitoral, que podem influenciar os fluxos de capital. A entrada de recursos estrangeiros em julho teve um impacto imediato no mercado, impulsionando o Ibovespa a uma alta de 3,5%, o primeiro desempenho mensal positivo desde fevereiro. O EWZ, principal fundo de índice de ativos brasileiros negociado em Nova York, também registrou uma valorização significativa de 6,23%.

Fatores que impulsionaram a entrada de capital estrangeiro

Vários fatores contribuíram para o retorno dos investidores estrangeiros ao mercado brasileiro. Um dos principais foi a rotação global de portfólios com investidores buscando diversificação em mercados menos expostos à cadeia de inteligência artificial. Essa mudança foi impulsionada pelo receio de uma bolha no setor de tecnologia, levando a uma realocação de recursos para mercados emergentes, como o Brasil.

Além disso, a alta dos preços do petróleo impulsionada pela escalada de tensões no Oriente Médio, beneficiou diretamente o mercado brasileiro. O setor de petróleo na B3 atraiu investimentos significativos, com ações da Petrobras (ON +17,4% e PN +14,9%) e da Prio (+16,7%) registrando valorizações expressivas. “A forte valorização do petróleo ajudou a reduzir o risco-País devido ao peso da commodity na nossa pauta de exportação, e atraiu recursos para ações de produtores brasileiros da bolsa, como a Petrobras”, afirma Marcelo Nantes, CEO da Kosmos Capital Group (KCG).

Desafios e incertezas para o segundo semestre

Apesar do movimento positivo em julho, o mercado não espera um fluxo tão robusto quanto o registrado até abril, de quase R$ 70 bilhões. A cautela dos investidores estrangeiros ainda é significativa, influenciada por fatores externos, como a escalada do conflito entre Israel e Irã, que elevou o risco sobre o petróleo e realimentou a inflação global. “Este movimento foi fruto de uma realocação global para portfólios emergentes, não necessariamente uma melhora estrutural do Brasil”, diz Daniel Nogueira, head de Alocação da InvestSmart XP.

Outro fator que pode influenciar os fluxos de capital é o cenário eleitoral. A proximidade das eleições e a pauta fiscal estão começando a pesar na decisão dos investidores estrangeiros. “A adoção de medidas de estímulo no período pré-eleitoral pode aumentar as preocupações com o quadro fiscal”, afirma William Jackson, economista-chefe de Mercados Emergentes da Capital Economics. A expectativa é que o cenário eleitoral passe a ditar o ritmo dos investimentos estrangeiros no Brasil, com o mercado avaliando de perto o compromisso dos candidatos com a disciplina das contas públicas no próximo mandato.

Perspectivas para o futuro

Apesar das incertezas, há indícios de que o apetite dos investidores estrangeiros pelo mercado brasileiro ainda persiste. “Há relatos de gestores de que o investidor estrangeiro tem interesse em aportar recursos no País e que está ‘sondando’ o mercado. Mas precisa de gatilho para alocar de fato”, afirma Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria. A combinação de valuations descontados e juros reais elevados continua atraindo a atenção dos investidores internacionais, mesmo diante dos desafios fiscais e das pressões na ponta longa da curva de juros.

No entanto, a continuidade desse movimento depende de vários fatores, incluindo a evolução do cenário geopolítico, a trajetória da inflação e a postura do Banco Central. “É muito difícil, para não falar impossível, prever este fluxo até o fim do ano. As trajetórias de inflação e, consequentemente, de juros, não estão muito claras no momento”, afirma Nogueira, da XP. Em paralelo, o cenário de inflação e emprego nos EUA também não é claro, com uma série de tensões geopolíticas simultâneas, deixando a possibilidade de piora de preços em aberto.