O mercado financeiro brasileiro está de olho na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira (5). A expectativa é que o comitê decida por um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic levando-a a 14%. Essa decisão viria na esteira de uma série de indicadores econômicos que sugerem uma acomodação da inflação e uma moderação da atividade econômica.
Contexto econômico e perspectivas
A análise da XP Investimentos aponta que a economia brasileira tem mostrado sinais de melhoria desde a última reunião do Copom, em junho. A inflação tem recuado, a atividade econômica está se moderando, e o câmbio permanece controlado. Além disso, o cenário internacional também tem contribuído para um ambiente mais benigno com leituras de inflação mais baixas em economias avançadas.
O economista-chefe da XP, Caio Megale destaca que o comunicado do Copom deve ser neutro sem sinalização clara sobre os próximos passos da política monetária. No entanto, ele reconhece que, caso a inflação continue recuando e a atividade doméstica mostre sinais mais fortes de desaceleração, o Copom poderá estender o ciclo de cortes para as reuniões seguintes.
Fatores que sustentam o corte
Vários fatores têm sustentado a expectativa de um corte na Selic. O preço do petróleo por exemplo, recuou para US$ 80 após superar US$ 100 há duas semanas, refletindo a volatilidade causada pelo conflito no Oriente Médio. Além disso, outras economias internacionais também estão colhendo frutos de uma inflação mais comedida, reduzindo a pressão dos bancos centrais para aumentar os juros.
No Brasil, dados sobre vendas no varejoreceitas de serviços e produção industrial cederam em março, sugerindo uma certa acomodação no PIB do segundo trimestre. A XP também vê melhoras nos dados do mercado de trabalho com desaceleração tanto na geração de empregos quanto no crescimento dos salários.
Projeções para a inflação
Os dados de inflação têm ganhado destaque no período porque vieram abaixo das expectativas do mercado, seja no dado geral ou nas análises mais específicas. A XP estima que a previsão para o IPCA de 2026 deve recuar de 5,2% para 4,9%. Em 2027, a estimativa é de 3,7%, e para o primeiro trimestre de 2028, a previsão é de 3,2%.
Além disso, a taxa de câmbio deve sustentar o real daqui para a frente, apesar das incertezas fiscais e políticas, já que o país entrega um superávit comercial expressivo e influxos de investimento direto próximo às máximas históricas.
A XP Investimentos também avalia que a ressaca econômica esperada para o pós-eleição pode ter se antecipado e já estar em curso, dado os sinais de IPCA abaixo das expectativas e de atividade econômica mais moderada. Megale avalia que é cedo para falar em reversão de tendência mas os números não podem ser ignorados.



