Quando pensamos em risco financeiro a primeira coisa que vem à mente é a volatilidade dos preços. No entanto, essa visão pode ser limitada, especialmente para investidores de longo prazo.
Rodrigo Sgavioli, sócio e head de alocação da XP, argumenta que o risco deve ser avaliado de forma mais abrangente. Para ele, o verdadeiro perigo não está apenas nas oscilações do mercado, mas na possibilidade de não alcançar os objetivos financeiros planejados.
O risco de não alcançar seus objetivos
Sgavioli destaca que os investidores têm metas específicas, como comprar um imóvel, financiar a educação dos filhos ou se aposentar. O problema não é apenas a queda temporária da carteira, mas a falta de potencial para financiar esses objetivos.
“Será que o maior risco é chegar à aposentadoria e não ter patrimônio suficiente para manter o padrão de vida? Ou é ver a carteira oscilar e cair 10% no curto prazo?”, questionou Sgavioli durante o painel “Se o CDI não é livre de risco, qual o papel do assessor?”, realizado na Expert XP 2026, em São Paulo.
O horizonte de tempo como fator determinante
O prazo para alcançar um objetivo é um dos principais elementos para definir o risco de uma aplicação. Para quem pretende comprar um imóvel em um ano, uma queda significativa nos investimentos pode comprometer diretamente o objetivo. Já para quem investe para a aposentadoria, com um horizonte de décadas, a oscilação de curto prazo pode ter um peso menor.
“Se o cliente quer comprar um imóvel em um ano, a volatilidade é um risco que deveria estar mais incorporado, porque há pouco espaço de tempo. Mas quanto maior o horizonte para alcançar um objetivo, menos a volatilidade representa o risco”, explicou Sgavioli.
O CDI e a ilusão da segurança
A discussão sobre o CDI parte de uma contradição. A taxa costuma ser vista como uma referência de segurança por apresentar baixa volatilidade e acompanhar os juros de curto prazo. No entanto, se o risco for definido como a possibilidade de não alcançar um objetivo, o CDI não necessariamente será o investimento mais adequado para todos os prazos.
Sgavioli afirma que um ativo considerado livre de risco deveria combinar baixa probabilidade de calote, proteção em grandes crises e capacidade de aumentar a chance de o investidor alcançar seus objetivos. O problema é que não é possível saber hoje qual será a rentabilidade do CDI ao longo de um período extenso.
“Quando invisto no CDI, qual será a minha rentabilidade em dez anos? Não se sabe”, afirmou.
O papel do assessor financeiro
O comportamento do investidor é outro elemento que pode afastá-lo de seus objetivos. Em momentos de alta, ele pode querer comprar ativos que já subiram. Em períodos de queda, pode decidir vender justamente quando os preços estão recuando.
Para Sgavioli, uma das funções do assessor é evitar que o cliente altere a estratégia a cada mudança do mercado. “Quando tudo estiver subindo, o investidor vai querer comprar tudo. Quando tudo estiver caindo, vai querer vender tudo. Então, quando houver um bull market, por exemplo, o assessor terá de proteger o cliente dele mesmo”, afirmou.
A função do profissional, nesse cenário, não seria encontrar uma aplicação capaz de gerar um ganho extraordinário em pouco tempo, mas ajudar o investidor a manter o foco em seus objetivos de longo prazo.



