Por décadas, a computação quântica permaneceu no campo teórico, mas agora está se tornando um campo de investimento bilionário. Em 2026, os aportes de capital de risco em empresas desse setor alcançaram US$ 3,9 bilhões distribuídos em 125 negócios, conforme relatório da PitchBook.
O que chama a atenção não é apenas o volume de investimentos, mas quem está por trás deles. Empresas como BlackRock e Nvidia estão liderando essa corrida, com aportes significativos que superam os de fundos especializados.
Os grandes players e seus investimentos
A BlackRock investiu US$ 1,7 bilhões enquanto a Nvidia aportou US$ 1,6 bilhões. Outras empresas como Baillie GiffordRipple Impact Investments e Temasek também estão entre os principais investidores.
Esses investimentos não são impulsivos. Segundo Dimitri Zabelin analista sênior de inteligência artificial da PitchBook, essas empresas sabem do impacto de suas escolhas no mercado. A Quantinuum por exemplo, levantou US$ 838,9 milhões em uma rodada Série B, com avaliação pré-money de US$ 10 bilhões.
A geopolítica da computação quântica
O componente geopolítico também está em jogo. Governos ao redor do mundo já comprometeram mais de US$ 60 bilhões em computação quântica. A China, por exemplo, colocou essa tecnologia como prioridade estratégica em seu 15º Plano Quinquenal, com um fundo de US$ 17,5 bilhões.
Os Estados Unidos, a União Europeia e o Japão também estão ampliando seus investimentos, embora em ritmos diferentes. Zabelin alerta que a Europa pode estar em desvantagem devido à tendência de regulamentar antes de inovar.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar do entusiasmo, a indústria ainda enfrenta desafios significativos. A maioria das empresas do setor abriu capital por meio de fusões reversas no modelo SPAC, e não por ofertas públicas iniciais (IPOs) tradicionais. Além disso, a falta de mão de obra especializada é um gargalo que o dinheiro sozinho não resolve.
Zabelin ressalta que o futuro da computação quântica não será um sistema isolado, mas sim uma integração com a inteligência artificial. A dúvida que permanece é se essa geração de investimentos será capaz de produzir retornos extraordinários, uma resposta que apenas a próxima década poderá oferecer.


