Em 2026, o mercado de NTN-Bs está passando por um período de instabilidade. As taxas desses títulos, que representam o retorno acima da inflação, atingiram níveis recordes desde o governo Dilma, com médias de 7,6% ao ano e picos superiores a 8%. Apesar desses retornos atrativos, os investidores não estão demonstrando interesse suficiente para atender às necessidades do governo.
O Tesouro Nacional tem tentado conter a alta das taxas reduzindo o tamanho dos leilões, cancelando operações e realizando recompras. No entanto, esses esforços têm sido pontuais, e o mercado continua pressionado após breves períodos de alívio.
O problema do endividamento público
O principal desafio é o alto endividamento público aliado a um déficit nominal que beira 9% do PIB. Para financiar essa dívida, o governo emitiu R$ 313 bilhões em NTN-Bs no ano passado, o maior volume desde 2026. Esse valor é apenas ligeiramente inferior ao total emitido entre 2016 e 2019, que foi de R$ 322 bilhões.
No primeiro semestre de 2026, o volume de emissão caiu para R$ 114 bilhões em comparação com R$ 200 bilhões no mesmo período de 2026. Essa redução reflete a falta de soluções imediatas para as contas públicas, levando muitos investidores a adotarem uma postura de espera.
Fatores técnicos e concorrência
Além dos desafios fiscais, fatores técnicos também explicam a redução da demanda por NTN-Bs. Um deles é a menor procura por parte dos fundos de pensão que já estão bastante alocados nesses títulos. Em 2026, uma norma permitiu a marcação de títulos públicos na curva, reduzindo a oscilação das cotas e elevando a emissão de NTN-Bs. No entanto, esse efeito foi pontual e acabou.
A queda na captação dos VGBLs devido ao início da cobrança de IOF em aplicações superiores a R$ 600 mil por mês, também reduziu a demanda por NTN-Bs. Os fundos de previdência privada são compradores tradicionais de títulos públicos atrelados à inflação, especialmente de prazos mais longos.
Outro fator que diminui o apetite pelas NTN-Bs é a concorrência crescente com produtos isentos de imposto de renda, como CRIsCRAsLCIsLCAs e debêntures incentivadas. Esses produtos oferecem alternativas mais atrativas para os investidores.
Perspectivas para o futuro
Apesar dos desafios atuais, alguns gestores veem oportunidades no mercado de NTN-Bs. Para investidores que planejam manter os papéis até o vencimento e podem tolerar as oscilações de curto prazo, garantir retornos entre 7% e 8% acima da inflação, em papéis de baixo risco, ainda é um bom negócio.
No entanto, a volatilidade do mercado, especialmente em um ano eleitoral, representa um risco significativo para os fundos de crédito. Muitos investidores preferem opções mais rentáveis e previsíveis, como os produtos isentos mencionados anteriormente.
A solução para os problemas atuais depende de uma combinação de medidas fiscais e ajustes técnicos para reequilibrar oferta e demanda.



