A MAG Investimentos está dando um passo significativo no mercado de crédito estruturado com a aquisição da operação de FIDCs da More Invest. Essa transação, que incorpora R$ 4,5 bilhões em ativos distribuídos em 10 fundos, eleva o patrimônio sob gestão da asset para quase R$ 25 bilhões.
A More Invest continuará operando com outras classes de ativos, mas a equipe liderada por David Kim e outros cinco profissionais passará a fazer parte do time da MAG. A negociação, que levou cerca de seis meses para ser concluída, representa uma oportunidade estratégica para a MAG diversificar seu portfólio.
A estratégia por trás da aquisição
Fernando Gabriades, diretor comercial da MAG Investimentos, destaca que a aquisição preenche uma lacuna no portfólio da gestora. “Faltava essa estratégia no nosso portfólio. Sempre fomos muito fortes em renda fixa tradicional e crédito privado mas não tínhamos crédito estruturado“, afirma Gabriades. Essa diversificação permite à MAG oferecer uma gama mais ampla de produtos a plataformas de investimento, family offices, fundos de pensão e investidores institucionais.
A MAG manterá o modelo adotado pela equipe de Kim, que atua exclusivamente por meio de fundos de cotas de FIDCs (FIC-FIDCs). Esse formato evita potenciais conflitos de interesse, já que a casa não participa da originação das operações de crédito nem da montagem dos veículos investidos, concentrando sua atuação na seleção e no acompanhamento dos gestores e das carteiras.
Tecnologia e diversificação
A equipe que vem da More Invest tem um histórico de uma década nos fundos, com uma plataforma própria apoiada por inteligência artificial para monitorar os FIDCs investidos, chegando ao nível das garantias que lastreiam cada operação. Cláudio Pires, diretor de investimentos da MAG, ressalta que esse modelo permite oferecer ao investidor uma carteira diversificada, reduzindo o risco de concentração em uma única operação de crédito.
Pires também destaca que a combinação de juros elevados e maior demanda por alternativas de financiamento vai seguir impulsionando tanto a oferta quanto a procura por esse tipo de estrutura. “A estrutura de FIDC hoje é mais competitiva do que um banco. Ela consegue ofertar taxas melhores para o tomador de crédito final”, afirma Pires. Os principais fundos da estratégia adquirida, que têm prazos de resgate de 30 e 60 dias e concentram mais da metade do patrimônio incorporado, têm retornos entre CDI mais 2% e CDI mais 3%.
Expansão contínua
Essa é a terceira incorporação realizada pela MAG desde 2026. A primeira foi a absorção do Cash Renda Fixa, que chegou à casa com cerca de R$ 400 milhões e hoje tem R$ 5,5 bilhões. Em seguida, a gestora incorporou um fundo de ações da Somma Asset, com aproximadamente R$ 300 milhões. A operação com a More é a maior já realizada pela companhia.
Segundo Pires, o movimento deve continuar, com a gestora se colocando como agente ativo na consolidação do mercado. Uma das prioridades é reforçar a presença da gestora em renda variável segmento em que ainda tem pouca escala (apenas R$ 400 milhões de todo o AUM) e onde vê oportunidade de crescer por meio de novas aquisições. “Dado o momento de mercado, é um classe em que é mais fácil crescer com aquisições e incorporações do que organicamente.”



