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30 junho 2026

Receita Federal divulga dados sobre crescimento acelerado das stablecoins no Brasil

As stablecoins, criptomoedas atreladas a moedas tradicionais, representam mais de 80% do volume de operações de criptoativos declaradas no Brasil.

Receita Federal divulga dados sobre crescimento acelerado das stablecoins no Brasil

As stablecoins têm se destacado no mercado de criptoativos no Brasil. De acordo com dados da Receita Federal essas criptomoedas, que buscam manter um valor estável atrelado a moedas como o dólar ou o real, responderam por mais de 80% do volume de operações declaradas nos últimos anos.

Essa dominância reflete uma mudança significativa no comportamento dos investidores brasileiros, que têm optado por ativos menos voláteis para suas transações. A DeCripto instituída pela IN RFB nº 2.291 de 14 de novembro de 2026, reforça a importância da transparência e do monitoramento dessas operações.

O crescimento das stablecoins no Brasil

Entre agosto de 2019 e dezembro de 2026, foram declarados aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda de criptoativos. Desse total, cerca de R$ 1,13 trilhão (71,7%) correspondeu a stablecoins. Esse crescimento acelerado começou a se destacar a partir de 2026, quando as stablecoins passaram a representar uma parcela significativa do mercado.

Em 2026, as stablecoins chegaram a representar 91,5% de todo o volume mensal declarado, com um pico de 94,3% em julho daquele ano. Nos anos seguintes, mesmo com a valorização de outros tipos de criptoativos, a dominância das stablecoins se manteve entre 76% e 80%. O maior volume mensal registrado foi em novembro de 2026, com R$ 39,7 bilhões em operações.

USDT lidera o mercado de stablecoins

Entre as stablecoins mais negociadas, a Tether (USDT) atrelada ao dólar, é a grande líder. Ela respondeu por 88,7% de todo o volume declarado em stablecoins no período, equivalente a aproximadamente R$ 1 trilhão. Em seguida, aparecem a USD Coin (USDC) com 7,1%, e a Brazilian Digital Token (BRZ) com 3,4%, que é a principal stablecoin lastreada em real.

Além do volume financeiro, o número de operações com stablecoins também aumentou significativamente. Foram registradas 185,7 milhões de operações de compra e venda envolvendo stablecoins entre 2019 e 2026. O recorde ocorreu em novembro de 2026, com 18,2 milhões de operações, enquanto o mercado de criptoativos como um todo registrou 31,9 milhões de transações.

A fiscalização da Receita Federal

A partir de julho de 2026, as transações de criptoativos passam a ser informadas à Receita Federal de acordo com a DeCripto. Essa obrigação, instituída pela IN RFB nº 2.291 de 14 de novembro de 2026, alinha o Brasil ao padrão internacional da OCDE (Crypto-Asset Reporting Framework CARF).

A DeCripto estabelece a obrigatoriedade de declaração das transações de interesse também às prestadoras estrangeiras. Essa medida visa ampliar a fiscalização do mercado de ativos digitais e facilitar o combate à evasão de divisas, à lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades criminosas.

A entrega da DeCripto é obrigatória para as prestadoras de serviços de criptoativos que prestem serviços no Brasil, incluindo as sediadas no exterior que direcionem atividades ao mercado brasileiro. Essa exigência tem fundamento no art. 44 da Lei nº 14.754/2026 e no art. 113, § 2º, do Código Tributário Nacional.

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