O Brasil está dando um passo significativo em direção a um futuro mais sustentável com a criação do Comitê Brasileiro de financiamento Circular (CBFC). Inaugurado em 25 de junho de 2026, em Brasília, o comitê reúne economistas, agências de fomento, bancos e indústrias para estruturar um novo modelo de financiamento que impulsionará a economia circular no país.
A economia circular representa uma alternativa ao modelo produtivo linear tradicional, onde os recursos são extraídos, utilizados e descartados. Em contraste, a economia circular busca recuperar e reinserir esses recursos no ciclo produtivo, promovendo a sustentabilidade e a eficiência.
Objetivos e Participantes do CBFC
O CBFC, criado pelo Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec) terá quatro encontros anuais com a participação de entidades como a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) a Aliança Brasileira em Finanças e investimentos Sustentáveis (Brasfi) o Conselho Federal de Economia (Confecon) e o Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP).
Beatriz Luz, presidente do Ibec, destaca que o setor já discutiu política pública e regulamentação, mas agora é hora de transformar a circularidade em negócios viáveis. “Temos tecnologia, sensibilização do mercado e, agora, precisamos transformar a circularidade em investimento e competitividade”, afirma.
Primeiro Encontro e Estratégias
O primeiro encontro do comitê ocorreu na sede da Delegação da União Europeia e foi orientado pelo Plano de Ação de Economia Circular já elaborado pelo setor. A estratégia prevê metas para os próximos dez anos, com foco em ampliar o debate para além do setor de resíduos e embalagens, incluindo áreas como agricultura, construção e setor mineral.
Haroldo da Silva, presidente do Corecon-SP, ressalta que a adoção de práticas sustentáveis e circulares exige novas formas de medir resultados, instrumentos financeiros adequados e políticas que incentivem mudanças reais. “É fundamental desenvolver instrumentos financeiros adequados e profissionais capazes de compreender como a circularidade se traduz em riscos, oportunidades e modelos de negócio”, complementa Leonardo Lima, diretor executivo da Brasfi.
Desafios e Oportunidades
A transição para um modelo circular é vista como uma necessidade real para diferentes setores, não apenas pela escassez de recursos, mas também para diminuir novos impactos ambientais. O comitê atuará como articulador entre os diferentes setores e atores participantes do processo de transição.
O Brasil está atrasado em relação a outros países na implementação da economia circular, mas iniciativas como a Estratégia Nacional de Economia Circular (Enec) criada em 2026, e o Plano Nacional de Economia Circular (Planec) apresentado em 2026, estão ajudando a estruturar uma governança nacional para colocar os princípios da economia circular em prática.
Com metas ambiciosas, como a redução de 20% da geração de resíduos urbanos não recicláveis até 2030, o Brasil está dando passos importantes em direção a um futuro mais sustentável. O CBFC será um player crucial nesse processo, conectando economistas, representantes de agências de fomento, bancos e indústrias para estruturar mecanismos financeiros que possam tirar do papel projetos que se encaixem no conceito de economia circular.



