Em uma iniciativa audaciosa, o senador dos Estados UnidosBernie Sanders apresentou um projeto de lei que visa revolucionar a forma como a inteligência artificial gera riqueza. A proposta, anunciada na última quinta-feira (18), sugere que o Governo federal tenha uma participação de 50% nas empresas de IA, com o objetivo de distribuir parte dos lucros para os cidadãos americanos.
O projeto argumenta que a IA é um recurso público pois seu valor econômico deriva do conhecimento coletivo da humanidade, incluindo livros, músicas, códigos, conversas e obras de arte. Sanders defende que, quando um recurso público gera riqueza, essa riqueza deve ser compartilhada com o público.
O modelo do Alaska Permanent Fund como inspiração
Para justificar sua proposta, Sanders cita o Alaska Permanent Fund criado há 50 anos a partir das receitas do petróleo do estado. Os moradores do Alasca recebem dividendos anuais, com valores como US$ 3.284 em 2026, US$ 1.312 em 2026, US$ 1.702 em 2026 e US$ 1.000 em 2026. O senador sugere que um fundo similar, mas focado em IA, poderia distribuir US$ 1.000 anualmente para cada cidadão americano.
De acordo com as avaliações atuais, o fundo soberano criado por esta legislação teria um valor estimado de US$ 7 trilhões. Um dividendo anual de 5% desse fundo poderia fornecer um pagamento direto de mais de US$ 1.000 para cada pessoa nos Estados Unidos.
Adoção rápida e evolução das ferramentas de IA
As ferramentas de IA não apenas foram rapidamente adotadas, mas também continuam a evoluir de forma significativa. Um exemplo notável é o ChatGPT que alcançou a marca de 1 bilhão de usuários mensais ativos em maio. Essa rápida adoção e evolução preocupam Sanders, que teme que as IAs possam substituir trabalhadores humanos, beneficiando apenas um pequeno grupo de pessoas.
“Quando um recurso público gera riqueza, o público deve compartilhar essa riqueza. A inteligência artificial é construída sobre o conhecimento coletivo da humanidade, e a riqueza que ela gera deve beneficiar a humanidade,” afirmou Sanders.
Reações da indústria e apoio de grandes nomes
Embora muitas empresas possam se opor à taxa de 50% proposta pelo projeto de lei, o texto aponta que grandes nomes da indústria são favoráveis a uma solução do tipo. Dentre os citados estão a OpenAI responsável pelo ChatGPT, a Anthropic responsável pelo Claude, e o trilionário Elon Musk ligado à xAI/Grok.
A OpenAI propôs um Fundo de Riqueza Pública que fornece a cada cidadão uma participação no crescimento econômico impulsionado por IA. A Anthropic sugeriu um fundo soberano para distribuir de forma mais equitativa a riqueza derivada da IA. Musk, por sua vez, propôs uma ALTA RENDA universal via cheques emitidos pelo governo federal para lidar com o desemprego causado pela inteligência artificial.
“Uma ALTA RENDA universal por meio de cheques emitidos pelo governo federal é a melhor maneira de lidar com o desemprego causado pela IA. A IA/robótica produzirá bens e serviços muito acima do aumento da oferta monetária, portanto não haverá inflação,” afirmou Musk em um tuíte publicado em abril deste ano.
Apesar do apoio inicial, Musk já se mostrou contrário à política de Sanders, chamando o senador de o personagem do xerife malvado da história de Robin Hood por querer taxar grandes fortunas. Em dezembro de 2026, Musk escreveu que sua riqueza só aumenta porque suas empresas geram produtos e serviços úteis, ao contrário do que faz o senador.
“Isso significa que minha ‘riqueza’ só pode aumentar ao produzir mais produtos e serviços para o público. Isso porque sou um criador, não um tomador, como os políticos do tipo Bernie Sanders do mundo. Eles tomam e estão sempre tomando, porque não podem ou não querem criar,” afirmou Musk.
À medida que as IAs e outros setores continuam a evoluir, é provável que esses debates também persistam, moldando o futuro da economia e da sociedade.
