O Líbano experimenta um cessar-fogo frágil entre Israel e o Hezbollah que tem sido amplamente respeitado desde a noite de sábado, 20 de junho de 2026. Apesar da trégua, a tensão persiste, e a população deslocada ainda hesita em retornar para casa devido ao medo de uma retomada das hostilidades.
O acordo de cessar-fogo, mediado pelos Estados Unidos e pelo Catar entrou em vigor às 16h do horário local desta sexta-feira, 19 de junho de 2026. No entanto, a calma é tensa com incidentes isolados, como disparos de tanques israelenses e sobrevoos de drones, que mantêm a população em alerta.
O contexto do cessar-fogo
O cessar-fogo atual é o mais longo desde o início do conflito, que começou em 2 de março de 2026. Hassan Wazni, diretor de um hospital em Nabatieh uma cidade no sul do Líbano que sofreu intensos bombardeios, relatou que a calma se mantém desde a noite de sábado. No entanto, ele destacou que as pessoas ainda estão inquietas e hesitantes em voltar para casa.
O conselho municipal da vila de Zawtar El Charqiyeh alertou os moradores para que não retornassem até que fosse seguro fazê-lo. As forças israelenses continuam posicionadas no interior do sul do Líbano, ocupando uma zona de segurança autoproclamada, onde vêm arrasando vilarejos, alegando que o Hezbollah se instalou em áreas civis.
Os desafios para a paz duradoura
O vice-presidente dos Estados UnidosJD Vance que liderou a delegação de Washington nas negociações com o Irã, afirmou que houve avanços no sentido de pôr fim às hostilidades no Líbano. No entanto, ele destacou que a situação ainda está em andamento.
O Irã, por sua vez, anunciou que havia fechado novamente o Estreito de Ormuz alegando que os EUA não haviam cumprido seu compromisso de interromper os combates no Líbano. Essa decisão reflete a complexidade do cenário regional e os desafios para alcançar uma paz duradoura.
As perspectivas futuras
Miry Menashe, uma moradora local de 41 anos, expressou sua desconfiança em relação ao cessar-fogo. “O cessar-fogo é frágil porque, em primeiro lugar, estamos lidando com uma organização terrorista”, disse ela. “Não estamos lidando com o próprio país do Líbano. Então, para ser sincera, não tenho confiança neles. Portanto, com cessar-fogo ou não, continuamos muito alertas e prontos para qualquer coisa.”
As negociações entre os Estados Unidos e o Irã previstas para ocorrer na Suíça, foram adiadas devido aos combates no Líbano. Representantes iranianos não viajaram como planejado, insistindo que os ataques no país precisavam cessar antes do início das negociações. Até o momento, uma nova data não foi anunciada.
O entendimento provisório entre Washington e Teerã havia interrompido hostilidades no Irã e no Golfo e permitido a reabertura do Estreito de Ormuz. As futuras negociações devem abordar um acordo permanente para o conflito e restrições ao programa nuclear iraniano, tema central da guerra iniciada em 28 de fevereiro entre Israel e os Estados Unidos contra o Irã.


