Pular para o conteúdo
10 junho 2026

Carta do PT ao eleitorado evangélico: fé e política em 2026

O Partido dos Trabalhadores lançou uma carta aberta ao eleitorado evangélico, combinando versículos bíblicos com propostas de governo e defendendo a reeleição de Lula em 2026.

Carta do PT ao eleitorado evangélico: fé e política em 2026

O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou, nesta segunda-feira (8), uma carta aberta dirigida ao eleitorado evangélico. O documento, assinado pelo IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores, realizado em Brasília, mistura citações bíblicas com propostas de governo e defende a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

A carta rejeita a ideia de que os evangélicos brasileiros formam um bloco político único e afirma que o encontro não pretende falar em nome de todas as denominações. Além disso, critica a tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política.

Versículos bíblicos e propostas políticas

A carta é estruturada em torno de versículos bíblicos que funcionam como moldura para cada bloco temático. O documento abre com uma passagem de Isaías que trata de libertar oprimidos e repartir alimento com famintos, e recorre a Tiago, Mateus, Efésios e Pedro ao longo do texto, sempre ancorando as posições políticas em referências do Novo Testamento.

Entre as propostas, o documento defende a ampliação de programas sociais já existentes, como o Bolsa Famíliao Minha Casa Minha Vida e a Farmácia Popular. Também apoia medidas em curso no governo Lula, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6×1.

A carta aborda ainda o fortalecimento da agricultura familiar e da Reforma Agráriapolíticas de primeiro emprego para a juventudeatenção integral à saúde da mulher e garantia de acesso da população negra ao sistema de justiça.

Contexto político e religioso

O encontro desta segunda-feira ocorreu em meio a um conflito entre a primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, e o pastor Silas Malafaia. Ele criticou os encontros que ela vem realizando com mulheres evangélicas, chamando suas interlocutoras de insignificantes. Janja reverteu o adjetivo contra ele e afirmou não o reconhecer como pastor.

O PT tem dificuldade em atrair os votos evangélicos, e a carta é um aceno em direção a este eleitorado. Segundo o Censo do IBGE de 2026evangélicos representavam 26,9% da população brasileira, e 55,4% desse total eram mulheres. Pesquisas indicam grande desvantagem de Lula neste espectro.

No início do ano, o presidente se viu envolvido em uma crise com parte da comunidade evangélica devido a uma ala do desfile da escola de samba que o homenageava e que satirizava grupos religiosos. A própria Janja fez uma autocrítica durante o encontroreconhecendo que o PT se isolou das igrejas ao longo dos anos.

Marcha para Jesus e a ausência de Lula

Na última semana, evangélicos de diferentes denominações se reuniram na Marcha para Jesusem São Paulo. O evento contou com a presença de Flávio Bolsonaro (PL)principal adversário do PT nestas eleições, mas não com a de Lula. O presidente afirmou que decidiu não participar para não passar a ideia de que quer tirar proveito político de algo sagrado. Ele foi representado pelo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU)Jorge Messias.

A carta também trata da soberania e da proteção das florestas, das águas e da biodiversidadeusando a expressão Casa Comumassociada ao papa Francisco.