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26 maio 2026

Docentes da USP suspendem aulas e cobram negociações e reajuste do Papfe

Docentes da USP aprovaram paralisação imediata em 25 de maio de 2026 para pressionar por negociações sobre o Papfe e por reajuste salarial; reitoria mantém proposta considerada insuficiente pelos grevistas

Em 25 de maio de 2026, a categoria docente da Universidade de São Paulo (USP) resolveu suspender atividades em solidariedade ao movimento estudantil e em defesa de suas próprias reivindicações salariais. A decisão foi tomada em assembleia geral convocada pela Adusp, que também aprovou outras medidas de mobilização. O gesto amplia a pressão sobre a reitoria e centraliza o debate em torno do Papfe, do reajuste de vencimentos e da retomada das negociações.

O movimento docente combina demandas conjuntas e específicas: além de reivindicar reajuste salarial, os professores exigem a continuidade das conversas entre a administração e os estudantes e a garantia de que a mobilização estudantil não seja criminalizada. No centro do conflito está a diferença entre as propostas do corpo técnico-administrativo, do Cruesp e das expectativas dos servidores e alunos.

Motivos e reivindicações dos professores

Os docentes apontam como principal frente a campanha por recomposição salarial. A proposta do Cruesp prevê um aumento de 3,47%, índice que acompanha a inflação medida pelo IPC-Fipe. A Adusp apresentou contraproposta que combina o IPCA (4,39% nos últimos doze meses) mais um adicional de 3%, além de referência ao poder de compra de maio de 2012 como parâmetro de recuperação de perdas. Essa diferença percentual reflete o descompasso percebido pelos professores entre reajuste formal e perdas acumuladas ao longo dos anos.

Agenda em torno do Papfe e da negociação com alunos

Outra pauta central conecta diretamente docentes e estudantes: o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe). O benefício integral atual é de R$ 885; a reitoria propôs reajuste pelo IPC-Fipe, elevando o valor a R$ 912, enquanto a mobilização estudantil exige R$ 1.804 — correspondente ao chamado salário mínimo paulista. Para os professores, apoiar a ampliação do Papfe é parte da defesa da permanência e do funcionamento adequado das atividades acadêmicas.

Cronologia das negociações e eventos recentes

O processo incluiu várias rodadas de diálogo. Em 18 de maio de 2026, a Assembleia Geral da Adusp aprovou indicativo de greve, medidas de mobilização e participação em atos do Fórum das Seis; havia previsão de nova assembleia para 25 de maio. Os estudantes já haviam aprovado a paralisação em 14 de abril, liderados pelo DCE, após protestos anteriores de servidores técnico-administrativos. O rompimento de diálogo ocorreu quando a reitoria considerou encerradas as negociações diante da rejeição estudantil às propostas apresentadas.

Incidentes e impacto nas outras universidades

Entre os episódios que inflamaram o movimento está a retirada de ocupantes da reitoria pela Polícia Militar, na madrugada do dia 10 de maio, ação que, segundo estudantes, deixou feridos — versão contestada pela Secretaria de Segurança Pública. Além disso, o caso de infiltrações e desabamento parcial do teto na biblioteca da Faculdade de Educação, ocorrido em 9 de maio, entrou na pauta da assembleia da Adusp, que exigiu providências da reitoria para preservar o acervo e a integridade do patrimônio público. As mobilizações ganharam eco em Unesp e Unicamp, que reforçaram boicotes e paralisações.

Reações, cenário atual e desdobramentos possíveis

A reitoria, representada pelo reitor Aluísio Segurado, afirmou que os valores propostos seriam a última oferta possível, posição que os grevistas classificam como intransigente. Na assembleia docente de 25 de maio de 2026 houve voto favorável à adesão à greve, embora a presença tenha sido reduzida frente ao contingente total de mais de cinco mil professores. O movimento deve seguir avaliando mobilizações setoriais e a possibilidade de ampliar a paralisação caso não haja avanço nas negociações.

As consequências práticas incluem suspensão de aulas, pressões por reposição orçamentária e debates públicos sobre prioridades da universidade, como contratação de técnico-administrativos, gestão do restaurante universitário (Bandejão) e situação do Hospital Universitário, apontado por manifestantes como fragilizado por perda de pessoal na última década. À medida que o impasse prossegue, todas as partes monitoram reações internas e externas para calibrar próximos passos.

Autor

Niccolò Conforti

Niccolò Conforti acompanhou o lançamento de uma startup napolitana num encontro no Centro Direzionale, apoiando uma linha editorial pró‑inovação no setor fintech. Analista fintech, inclui um pormenor biográfico: mantém um registo das primeiras apresentações a que assistiu em Napoli.