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14 junho 2026

Bahrein busca resolução da ONU para proteger navegação no Estreito de Ormuz; veto chinês complica

O Bahrein apresentou um rascunho que permitiria medidas defensivas para garantir o trânsito comercial no Estreito de Ormuz, mas objeções de China, Rússia e outros países atrasaram a votação

Bahrein busca resolução da ONU para proteger navegação no Estreito de Ormuz; veto chinês complica

O Conselho de Segurança das Nações Unidas adiou para a próxima semana a votação sobre um projeto de resolução apresentado pelo Bahrein que visa proteger o tráfego comercial no Estreito de Ormuz. A sessão dos 15 membros havia sido marcada para sexta-feira e depois transferida para sábado, mas diplomatas informaram que o pleito foi novamente postergado sem data definida. Enquanto o Bahrein, que preside o conselho, tenta somar apoios, a China deixou claro que rejeita qualquer texto que autorize o uso da força.

A proposta inicial passou por mudanças significativas para acomodar resistências, sobretudo da Rússia e da China. O rascunho final autoriza “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação por um período de pelo menos seis meses, mas removeu referências que poderiam ser interpretadas como obrigações mais amplas. O documento foi submetido ao procedimento de silêncio, que foi interrompido por vários Estados, e posteriormente o texto foi ‘colocado em azul’ — um termo da ONU que indica que o projeto está pronto para votação.

O que prevê o rascunho

Em linhas gerais, o esboço preparado pelo Bahrein busca autorizar medidas coordenadas para defender embarcações comerciais na região do Estreito de Ormuz. A redação final estabelece um período inicial de atuação de pelo menos seis meses e mantém a possibilidade de extensão “até que o Conselho decida de outra forma”. Em vez de impor ações obrigatórias, a versão suavizada procura um equilíbrio entre a necessidade de segurança marítima e as preocupações de Estados que temem uma escalada. Termos técnicos e de autoridade aparecem em destaque no texto, com definições operacionais relacionadas a quem poderia atuar e em que circunstâncias.

Procedimento de aprovação

O processo de aprovação no Conselho de Segurança exige pelo menos nove votos favoráveis e a ausência de veto por parte dos cinco membros permanentes: Reino Unido, China, França, Rússia e EUA. A colocação em “azul” indica que os redatores consideram o texto apto para votação, mas votos negativos ou vetos de um membro permanente podem bloquear a resolução. Diplomatas relataram que a China, a França e a Rússia interromperam o silêncio no procedimento, demonstrando que ainda há divergências sobre o alcance das autorizações.

Objeções e riscos de veto

A delegação da China na ONU, por meio de seu embaixador, manifestou oposição explícita a uma autorização que envolva o uso da força, argumentando que isso poderia legitimar ações militares e ampliar a escalada do conflito. A Rússia e outros Estados também exerceram pressão para alterar o texto, o que levou o Bahrein a retirar passagens mais contundentes. Enquanto isso, países do Golfo e aliados ocidentais, incluindo os EUA e o Reino Unido, têm apoiado a iniciativa governada pelo Bahrein, buscando uma resposta internacional coordenada.

Cenário diplomático

Fontes diplomáticas indicam que o Bahrein tem contado com o apoio de outras nações árabes do Golfo e de Washington para avançar com a resolução. O Reino Unido organizou uma reunião com mais de 40 países sobre medidas para reabrir e garantir a passagem segura pelo estreito. Ao mesmo tempo, a existência de opiniões divergentes entre membros permanentes cria um impasse: mesmo com nove votos, um veto de qualquer uma das potências com assento permanente anularia a decisão.

Impactos regionais e econômicos

O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz após ataques recentes envolvendo os EUA e Israel contra o Irã no final de fevereiro elevou os preços do petróleo e forçou governos além do Golfo Pérsico a adotar medidas emergenciais para proteger o abastecimento energético. O Irã chegou a propor a cobrança de pedágios para navios que transitassem pela passagem, uma ideia condenada pelo Bahrein como “ilegal e imprudente”. Em resposta, o Conselho aprovou a resolução 2817 em 11 de março de 2026, pedindo que o Irã se abstivesse de fechar ou obstruir a navegação — demanda que, segundo Ancara e outras capitais, não foi cumprida.

Consequências práticas

O prolongamento da interrupção do tráfego em Ormuz pode gerar efeitos humanitários e econômicos globais, com custos adicionais no transporte marítimo e possíveis choques nos mercados de energia. Por isso, defensores da iniciativa do Bahrein argumentam que somente uma ação multilateral, amparada por estruturas legítimas como o Conselho de Segurança, pode restaurar a segurança e a previsibilidade no corredor marítimo. Críticos, por outro lado, alertam que qualquer autorização militar ampla teria o efeito contrário, aumentando o risco de confrontos diretos.

Com a votação empurrada para a próxima semana, a dinâmica entre os membros do conselho continuará a se definir nos bastidores, enquanto governantes e operadores marítimos acompanham de perto o desenlace. O desfecho dependerá tanto do desenho final do texto quanto da capacidade de converter apoios diplomáticos em votos efetivos sem provocar vetos dos membros permanentes.

Autor

Francesca Galli

Francesca Galli, florentina com formação bancária, tomou a decisão de mudar de carreira após um congresso no Palazzo Vecchio: hoje elabora análises de mercados e colunas sobre poupança e investimentos. Na redação propõe linhas editoriais atentas à transparência e conserva a agenda do primeiro emprego no banco.